Amílcar de Castro | Centro Cultural Banco do Brasil Brasília

A exposição “O Jardim de Amílcar de Castro: Neoconcreto sob o céu de Brasília” tem como proposta destacar justamente o que poderia ter sido o encontro da arte construtivista de Amílcar de Castro com a arquitetura e urbanismo de Brasília, cidade caracterizada pelo espaço aberto, pelo amplo horizonte, onde edifícios públicos se transformam em esculturas e competem com os outros marcos urbanos em busca do nosso olhar.

A realização da mostra e de todos os seus desdobramentos – lançamento do catálogo, site, aplicativo, seminários e oficinas de visitação – foi possível graças à associação entre a produtora 4Art e Márcio Teixeira, o maior colecionador da obra do grande escultor.

Marcio (falecido em outubro último) fez em sua cidade natal, Dom Silvério, MG, uma inédita distribuição de obras de grande porte do artista pelas ruas da cidade e pelo passeio à beira do rio, transformando o pequeno município do interior, com estrutura colonial, em um imenso jardim de arte contemporânea. No início de janeiro, esse conjunto de obras foi transportado para Brasília em 12 carretas, um acontecimento!

A proposta curatorial do projeto “O Jardim de Amílcar de Castro: Neoconcreto sob o céu de Brasília” traz como ideia central oferecer ao público um espaço de contemplação e debate sobre a obra de Amílcar de Castro em diálogo com a perspectiva urbana da capital.

Brasília é contemporânea das pesquisas neoconcretas; é contemporânea do nascimento das obras do mestre do corte e da dobra. Mas as grandes esculturas em aço de Amílcar, curiosamente, não pousaram na capital. Algumas delas foram exibidas, em 2000, na abertura do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). Agora voltam para formar um jardim em diálogo com os vastos espaços abertos do Centro e com a arquitetura de Oscar Niemeyer. Esse é um belo e necessário encontro.

A ideia central é vivenciar a experiência estética do embate entre as grandes obras tridimensionais criadas pelo artista, encontradas em tantos espaços públicos do país e do exterior, e o corpo do observador. Ao passear pelos gramados, o visitante se encontra com a bela cor de ferrugem das superfícies, que ganham o espaço por recortes e dobraduras que parecem desafiar o peso do material do qual são feitas. Elas estão entre as árvores, os prédios sinuosos de concreto e o céu de Brasília.

Além da exposição, o projeto realizará um amplo processo de democratização de acesso com a disponibilização de um aplicativo criado especialmente para permitir uma visita guiada permanente, com áudios e vídeos para todos os públicos. O aplicativo também irá possibilitar informações adicionais sobre o artista, material para interação, material didático para professores e palestras. Grande parte do conteúdo estará disponível também em libras e em braile.

DATAS CRUZADAS

2020 foi o ano do centenário de Amílcar de Castro e também o ano do vigésimo aniversário do CCBB – Brasília. Mas esse foi o ano que iniciou o isolamento social. Tempo suspenso. Projetos suspensos. Vidas em suspense. Comemorações suspensas.

A lembrança dessas datas cruzadas trouxe à memória a bela imagem do CCBB em sua inauguração, com uma série de esculturas de Amílcar de Castro espalhadas em sua praça central (à entrada do prédio principal). Amílcar e Niemeyer, que encontro! Especialmente porque a capital não tem obras dos movimentos concretista e neoconcretista expostas em lugares públicos.

Em 2010, na mostra “Brasília e o construtivismo, um encontro adiado, com curadoria de Fernando Cocchiarale, Castro visitou o CCBB em escala muito menor (mas de igual importância), onde se podia ver a galeria 2 como a metáfora da Esplanada, com o croqui do Congresso de Niemeyer ao fundo, e uma série de esculturas de corte e dobra do artista como se ocupassem os gramados.

Mas a partir de fevereiro o encontro se dará de fato! E nos jardins do CCBB, espaço possível de convivência, mesmo na pandemia (e mantendo o distanciamento social necessário). Ao ar livre, assim como pedem as belas peças de Amílcar de Castro: seu jardim de esculturas nos gramados do Centro Cultural. Arte possível e bem-vinda em tempos pandêmicos ou não. Assim, Brasília, a cidade modernista de pensamento construtivo, faz sua justa homenagem ao artista de pensamento construtivista, neoconcreto, em seus 100 anos. E o CCBB tem sua comemoração de 20 ativos anos na cidade nova.

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