Amazônia: o processo de criação de Sebastião Salgado | Itaú Cultural

Sebastião Salgado fotografa um grupo de Yanomami no estúdio em Piaú. | FOTO: Leão Serva

De 8 de março a 29 de maio, o Itaú Cultural apresenta, no piso 2, a exposição Amazônia: o processo de criação de Sebastião Salgado. Dando luz aos bastidores da construção e composição da mostra “Amazônia” | Sebastião Salgado, aberta em fevereiro no Sesc Pompeia, este recorte conta com mais de 35 registros fotográficos feitos pela curadora Lélia Wanick, também produtora e mulher do fotógrafo, e o jornalista Leão Serva, ao longo dos sete anos de andanças de Salgado pelo universo amazônico, além de fotos de Everton Ballardin.

A exposição tem organização curatorial do Núcleo de Artes Visuais do Itaú Cultural, produção e projeto expográfico de Alvaro Razuk e parceria do Sesc. As imagens ali expostas trazem boa parte das dezenas de registros do fotógrafo em ação por terra, água e ar feitas por Lélia e Serva. São imagens dele capturando pelas lentes a essência das florestas, rios, montanhas e da vida em 12 comunidades indígenas da região.

Ao entrar no espaço expositivo do Itaú Cultural, o público ouve a composição Paisagens, do Grupo Pau Brasil, com direção musical de Rodolfo Stroeter. São 24 minutos de uma visão sonora da natureza amazônica. Em seguida, transitando pelo ambiente, cruza-se com uma foto, tirada por Lélia, de Salgado em um momento de descanso, cercado por mulheres da etnia Zo’é, admiradas com a sua cabeça calva.

Em um momento de descanso, mulheres da etnia Zo’é se admiram com a cabeça raspada de Sebastião Salgado | FOTO: Lélia Wanick Salgado

Em outra imagem, desta vez de Serva, o fotógrafo sobrevoa o rio Uraricoera, na Terra Indígena Yanomami. Ao fundo, é possível ver uma pista de pouso na comunidade Waicás, da etnia Yekuana, marcada como uma reta na floresta. A região é uma das mais assediadas pelo garimpo ilegal de ouro, que ameaça as populações e o ambiente na região.

Serva também registrou o encontro de Salgado com a etnia Korubo, em 2017, na terra indígena Vale do Javari, oeste do Amazonas. Em uma das fotos há o indígena Pexken Korubo observando o fotógrafo enquanto registra as imagens de Visa e Takuã, dois outros líderes guerreiros de uma aldeia da mesma etnia. No registro, vê-se o costume dos Korubo de manter a pele sempre untada pela cor vermelha do urucum. Outro traço característico desse povo é o corte de cabelo, com fios apenas na metade da frente da cabeça e o restante raspado.

Nesta viagem, com duração de um mês, Salgado e sua equipe foram os primeiros forasteiros a conviver tanto tempo com a etnia Korubo. Desde 1996, somente quatro grupos deste povo fragilizados por doenças ou ataques de inimigos havia contatado homens brancos.

Esse olhar dos bastidores trazido pela exposição no Itaú Cultural vai além da experiência na floresta. Na mostra, os visitantes também se deparam com registros feitos de Sebastião Salgado por Everton Ballardin, selecionando imagens ou orientando a montagem de AMAZÔNIA, que passou por Paris, Roma e Londres e acaba de chegar no em São Paulo, com patrocínio do Itaú-Unibanco, Natura e Zurich, entre outros, e ainda seguirá para o Rio de Janeiro.

Montagem avançada da exposição “Amazônia” | Sebastião Salgado, no Sesc Pompéia | FOTO: Everton Ballardin

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