Alexandre Orion | Metrô São Paulo

Larissa Luz

O artista visual Alexandre Orion leva a luz para dentro da fotografia e revela uma aura coletiva que ilumina a diversidade no projeto UNI, que ganha exposições itinerantes e gratuitas nas estações República, Luz e Alto do Ipiranga do Metrô de São Paulo, entre 05 de novembro e 05 de fevereiro. A primeira edição da mostra apresenta retratos de Maria Adelaide Amaral, Milton Hatoum, Criolo, Larissa Luz, Livia La Gatto, Jô Santana, Ronaldo Fraga, Lilia Schwarcz, Rico Dalasam, Renata Maciel, Zeca Camargo e Tata Amaral.

Resultado de uma pesquisa iniciada por Alexandre Orion em 2017, UNI é um trabalho inédito que retrata personalidades iluminadas por uma única fonte de luz, moldada pelo artista como uma silhueta. Diferentemente dos retratos convencionais, em que a iluminação está sempre nos bastidores, em UNI a única fonte luminosa está dentro do quadro.

Zeca Camargo

Nos retratos que vemos nas revistas, são usadas várias luzes e aparatos que comumente ficam fora do quadro. Orion subverte esse recurso básico da fotografia. E nesse momento retrógrado, agonizante e de ataque à cultura, o artista propõe um elogio à diversidade e à força da cultura e das existências e desintoxica a arte das ruínas do panorama atual. “UNI retrata o humano através de uma única silhueta de luz, uma aura coletiva que nos iguala ao iluminar nossa diversidade. Não é apenas um retrato. É o registro de uma existência, de tudo o que nós representamos, de tudo o que transformamos positivamente no mundo.”, explica Orion, que já expôs suas obras em todos os continentes do mundo.

A proximidade e a unicidade da luz irradiam a essência dos personagens, que tornam-se faróis de suas inspirações também em frases inspiradorasque acompanham cada imagem. “Às vezes, tudo que precisamos para saber o que temos dentro de nós é um fio de luz.” como avalia o jornalista e apresentador Zeca Camargo. Para o estilista Ronaldo Fraga “O mundo como conhecíamos já não há, os muros ruíram e um novo tempo está pra ser ‘re-inventado’ com bases na inclusão, no diverso e no sustentável.” Já o escritor Milton Hatoum cita um trecho de seu poema em homenagem a Paulo Freire em que diz que alfabetizar é “tirar as palavras da sombra e do silêncio”, enquanto o cantor e compositor Criolo alumbra o fortalecimento da fé e a crença na humanidade.

“Depois que fizemos o musical Cartola e vimos tanta gente preta na plateia, se reconhecendo no palco, entendi que era necessário propor outras narrativas. Eu preciso contar as histórias do meu povo.”, declara o ator, produtor e diretor artístico Jô Santana sob a luz de UNI. “Que nosso trabalho e nossa vida sejam sempre dedicados à criação. A verdadeira criação é próspera, generosa, inclui a todos, é compartilhável.”, sugere a cineasta Tata Amaral.

Contemplado com o prêmio por histórico de realização da Aldir Blanc, UNI é um trabalho de longo prazo, com novos registros a serem feitos ao longo dos anos. A primeira edição do projeto teve os retratos realizados durante as gravações do programa Papo de Arte, de Hélio Goldsztejn e conta com texto de Vilma Piedade.

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