Alexandre Nóbrega | Nós Galeria

Alexandre Nóbrega | FOTO: Robson Lemos

Artista da geração de 80 de Pernambuco, Alexandre Nóbrega (Recife, 1961) se debruça sobre a experimentação pictórica, tendo sua obra composta, geralmente, em matizes de preto e branco sobre
papel, construindo uma narrativa visual que utiliza signos do cotidiano, símbolos de sua memória do sertão paraibano e pernambucano, da literatura e das artes. Na mostra individual Entre o Visível e o Invisível na Paisagem, em cartaz de 21 de agosto a 23 de outubro de 2021, na Nós Galeria, em São Paulo, é apresentada uma coleção inédita do artista – cerca de trinta paisagens sobre papel, em dimensões e técnicas variadas – que utiliza materiais como carvão, pigmento, betume, tinta e cal. São composições com diversas nuances de branco, registros cartográficos de paisagens imaginárias, paisagens de memórias, que estão no desvio do figurativo para o abstrato, em formas geométricas ou em campos saturados de cor.

A série foi concebida durante o isolamento de Alexandre Nóbrega na Ilha de Itamaracá, em Pernambuco, entre 2020 e 2021. É nesta fronteira nebulosa e emblemática que Entre o Visível e o Invisível na Paisagem se insinua na representação, na construção e na identificação de afetos, seja pela solidão ou por um certo tipo de interiorização, inseridos neste contexto recente da privação social. A exposição nos convida também a uma reflexão sobre a paisagem como produção pictórica: “Paisagens não são sempre descobertas, elas também podem ser inventadas, abertas as novas possibilidades, levantando novos  questionamentos sobre como podemos viver e ver a paisagem como construção poética e subjetiva da realidade, dos etéreos céus de brancos que percorrem escadas que levam a um mundo imaginário, um mundo onde o sonho ainda é crível, e assim me reconheço nelas”, explica o artista.

Com curadoria de Joana D’arc Lima, além da série de paisagens, faz parte da mostra um livro de artista, composto por uma gravura branca sobre o branco, com fragmentos da impressão de uma fotografia da Guerra de Canudos, e três textos de autoria de Alexandre. A proximidade com a fotografia integra o processo criativo do artista: entre 2000 e 2014, Alexandre Nóbrega acompanhou Ariano Suassuna (1927-2014), que foi também seu sogro, como assessor. Foram inúmeras viagens pelo Brasil, em missões artísticas que evidenciavam o protagonismo da cultura popular, registradas em fotografias pelo olhar cuidadoso e observador do artista. Deste arquivo fotográfico de mais de três mil imagens, foram escolhidas cerca de 200 fotos que compõem o livro O Decifrador, lançado em 2011.

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