Alex Vallauri | Galeria Index | Museu Nacional de Brasília

Alex Vallauri_Sem título - FOTO Bruno Santiago

Depois de sua primeira exposição, a coletiva “Brasília em Obras”, a Galeria Index dá continuidade a sua atuação na cidade de Brasília com projeto inédito: Alex Vallauri. Trata-se de duas exposições com obras do artista, tanto no espaço histórico da Galeria, quanto no Museu Nacional de Brasília. Ambas são complementares e apresentam obras históricas do artista, falecido em 1987 em decorrência de complicações ocasionadas pelo HIV. O projeto resgata a poética e o pensamento de Vallauri, que atualmente é considerado um dos grandes responsáveis por introduzir o grafite como linguagem artística no Brasil.

Com um conceito de trabalho inovador, a Galeria Index combina um bureau de serviços, com ações voltadas para os mercados primário e secundário das artes, mobiliário de design histórico brasileiro, além de parceria com a empresa de branding e comunicação Manufatura. Reunir obras emblemáticas de Alex Vallauri para mostrar ao público da capital do Brasil tem sido um grande desafio para a galeria, não apenas pela importância da sua representação histórica, mas também por poder travar um diálogo especial com o contexto de arquitetura e espaço urbano patrimonializado, tanto da própria Galeria Index, quanto do Museu Nacional.

O conjunto de obras apresentadas contemplam as décadas de 1970 e 1980 e abordam desde a fase do experimentalismo gráfico da década de 1970 até sua institucionalização, a partir de 1977. Além disso, por meio do repertório urbano e popular Kitsch de Vallauri, “o projeto pretende levantar questões que até hoje são ‘interditadas’ e que foram muito latentes na vida e obra de Vallauri, como a sexualidade e a marginalidade”, explica Fabrícia Jordão, curadora da exposição no Museu Nacional da República. “As demandas atuais de homofobia e heteronorma tornam inevitável situar a obra de Vallauri como resultado de atravessamentos do universo gay e do homoerotismo”, complementa. Na galeria Index, as obras serão mostradas de maneira inusitada, por meio de uma grande instalação que simula uma estrutura de outdoor. A ideia é levar a urbanidade tão latente da pesquisa de Vallauri para dentro do espaço da galeria, que hoje funciona como uma ocupação em um edifício histórico moderno em Brasília.

Por meio de gestos iconoclastas e violentos, Alex Vallauri marcava o tecido urbano com sua poesia por meio do grafite. Trabalhando imagens comuns ao imaginário coletivo, o artista sabia que sua produção só seria entendida se estivesse também preocupada com os anseios e as aspirações das pessoas. Utilizando-se de figuras de objetos e personagens, desenvolvia uma linguagem gráfica repleta de elementos da cultura de massa, com traços pop e cores vibrantes. Mais tarde, substituiu as técnicas do grafite tradicional por grandes moldes de stencil, que usou para estampar as paredes e os muros da cidade de São Paulo, na calada da noite.

A obra de Vallauri nos revela uma grande preocupação com o estudo da linguagem visual numa sociedade de consumo e como ela atingia o público. Para ele, o grafite era a forma mais eficaz da arte se aproximar do público, ou seja, os cidadãos transeuntes metropolitanos. Embora trabalhasse com diversos outros suportes, como tecido, xerox e PVC, elementos identitários comuns eram pulverizados e multiplicados. Pequenos e mal-acabados, eles mesclavam-se às outras representações dentro da paisagem urbana. A bota preta, o telefone, a luva, a bailarina, o frango e, claro, a “Rainha do Frango Assado”, sua personagem mais emblemática e sensação da Bienal internacional de São Paulo de 1985, são algumas das figuras que compõem a obra de Vallauri e que poderão ser vistas nas exposições. “Festa na casa da rainha do frango assado” foi uma grande instalação ambiental, que simulava a casa da “rainha do frango assado”, com todos os seus componentes grafitados de acordo com uma estética pop-kitsch. A então emergente atriz Claudia Raia, protagonizou a figura da rainha do frango assado em performances realizadas durante a Bienal.

Alex Vallauri, Sem título | FOTO Bruno Santiago

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