A relação entre artes visuais e design ganha um novo capítulo na mostra Alquimia Contemporânea, na WG galeria. A exposição destaca os trabalhos de Alex Rocca e Luiz Eduardo Rayol, artistas visuais que deram seus primeiros passos no universo criativo a partir das inúmeras possibilidades abertas pelo design de objetos. Mas, para além deste histórico, eles compartilham a habilidade e o domínio da tradução de suas cosmologias pessoais em escrita.
O lançamento da mostra acontece durante a DW! Semana de Design de São Paulo! evento com extensa programação que promove diferentes olhares e apropriações do design. A WG galeria também inova, sendo uma das poucas participantes do mercado da arte a transitar no mundo do design neste período, incentivando um diálogo instigante entre os dois universos.
Alquimia Contemporânea parte da magia das pedras não apenas como elemento artístico, mas como um conceito carregado de memórias e desejo de transformação dentro das investigações da arte na atualidade.
A mostra tem a curadoria de Rejane Cintrão, que se utiliza do poder do tempo e da manualidade para provocar um conceito de ‘futuro’ que tem se ancorado muito na tecnologia e inteligência artificial (IA). “Se tomarmos as produções artísticas apresentadas na última Bienal de São Paulo, nas duas últimas Bienais de Veneza e na última Documenta de Kassel, todas realizadas pós-pandemia, o caminho da humanidade seria o oposto [à IA]: o retorno ao trabalho comunitário, o fazer manual, o retorno à natureza, a busca pelo conhecimento de nossos ancestrais, a valorização do ser humano. A arte reflete o espírito da época em que vivemos e, muitas vezes, preconiza o futuro. Me parece que o caminho que nos está sendo mostrado pela arte vai na contramão da IA. (…) pedras, sim, estes materiais sólidos naturais, formados por minerais ou vidro vulcânico, que constituem grande parte da crosta terrestre, são o ponto de partida.”, afirma a curadora.
Os textos autorais, muito bem escritos pelos artistas a respeito de seus caminhos criativos, são mencionados no texto curatorial de Cintrão, que surge fluido e acessível a todo tipo de leitor, descrevendo a importância da manualidade e do natural no contexto do fazer artístico, e finaliza: “Os alquimistas estão chegando, diria Jorge Ben. E eles são artistas.”
As obras estarão disponíveis para comercialização.

