Alex Cerveny & Efrain Almeida | Carpintaria

Efrain Almeida, O exótico, 2021 | FOTO: Eduardo Ortega. Courtesy Fortes D’Aloia & Gabriel, São Paulo/Rio de Janeiro.

A Carpintaria tem o prazer de apresentar sua nova exposição, um diálogo entre Alex Cerveny (São Paulo, 1963) e Efrain Almeida (Ceará, 1964). O interesse por narrativas do corpo, da natureza e de origem mitológica ou sacra é um dos pontos de conexão mais evidentes entre as obras dos artistas. Em pinturas, aquarelas, esculturas e bordados, Cerveny e Almeida conjugam referências históricas de origens diversas a narrativas biográficas. A interlocução costura-se tanto através de obras recentes quanto da presença pontual de trabalhos dos anos 1990 e 2000, evidenciando em ambas produções um apreço pelo labor manual, uma fatura essencialmente marcada pelas mãos dos artistas — seja nas minúcias das pinturas de Cerveny ou nos detalhes das esculturas de Almeida.

Em sua obra, Alex Cerveny dá conta de referências que vão da iconografia à narrativas mitológicas, de elementos cotidianos a referências contemporâneas – eruditas ou prosaicas. Suas pinturas situam-se suspensas no espaço-tempo, habitadas por figuras humanas que transcendem o plano físico, por vezes materializando-se enquanto presenças espirituais, cósmicas. O habitat destes seres são cenários de tintas apocalípticas, onde a representação da natureza muitas vezes aparece envolta por fogo e fumaça, no desejo figurativo de uma espécie de “terra arrasada”.

Alex Cerveny, Pau-Brasil, 2021 | FOTO: Eduardo Ortega. Courtesy Fortes D’Aloia & Gabriel, São Paulo/Rio de Janeiro.

Já na obra de Efrain Almeida, a representação visual de animais como beija-flores é imbuída de uma alta carga simbólica, tema recorrente na obra do artista. Aqui, seus colibris reaparecem tanto sobrevoando os campos geométricos de cor das aquarelas da série Prisma (2021) quanto arquitetando voos escultóricos em Flying (2021), escultura em bronze. O artista investiga a cor a partir do fenômeno da iridescência destes animais, uma vez que suas penugens coloridas revelam-se a partir – e apenas – da reflexão da luz do sol. A autorrepresentação do corpo, outra temática frequente de sua produção, também aparece no conjunto. Ao esculpir sua própria imagem em Autorretrato (2014-2020) o artista faz referência aos ex-votos, típicos das igrejas católicas do Nordeste do país, evidenciando a dimensão biográfica de sua obra.

A proposição de uma conversa entre as produções artísticas desses dois artistas reforça a vocação da Carpintaria em estimular exercícios amplos de pensamento entre diferentes autores, formas de expressão e linguagens.

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