Aleta Valente e Marcela Cantuária | A Gentil Carioca

Em SUPEREXPOSIÇÃO, Aleta Valente relaciona duas investigações: a primeira remete ao fenômeno que ocorre na fotografia quando a abertura do diafragma da câmera permite a entrada de luz sob longa duração, conferindo espectros, movimento e até mesmo borrões no extracampo da imagem; a segunda seria a autorrepresentação como forma de repensar a imagem da mulher na sociedade capitalista e o modo como seus corpos crescem balizados pela influência da mídia, tornando-se suportes para qualquer tipo de venda ou violação. O trabalho de Aleta derrete essas narrativas através de obras fotográficas, vídeos, instalações e arte digital – características imersivas de sua primeira conta no Instagram @ex_miss_febem que durou 2 anos (Jan/2015 a Jan/2017), com produção diária de autoretratos, vulgo selfies, propondo também uma reflexão sobre a efemeridade e a materialização na arte contemporânea.

Em LA LARGA NOCHE DE LOS 500 AÑOS, Marcela Cantuária apresenta trabalhos que resultam de seu interesse em evidenciar narrativas que partem de múltiplas perspectivas, tecendo aproximações entre as esferas do social, do político e do onírico. Suas pinturas geram pontos de contato entre temporalidades distintas, inserindo rastros de disputas simbólicas sobre o acirramento da luta entre as classes sociais, a exploração de recursos naturais e manifestações que aludem às urgências das lutas feministas. Ao mesmo tempo Marcela entrecruza a luta pela dignidade dos povos originários, tensionando eventos relacionados ao terrorismo de gênero. A mostra de Cantuária traz um texto especial concebido por Aldones Nino.

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