Alê Jordão | Galeria Choque Cultural

A Galeria Choque Cultural, pioneira em arte urbana no circuito nacional, inaugura em 5 de junho sua nova sede no Jardim Paulista com duas mostras inéditas. Em Free Hands, individual do artista Alê Jordão, a Galeria exibe obras feitas a partir de impressão do corpo humano em tela e tapeçarias, e na coletiva Nova em Folha, reúne a mais recente produção dos artistas que integram o corpo da Choque Cultural.

“O novo espaço é um marco dos quase 20 anos de existência da Choque Cultural, período em que seguimos nos reinventando e sempre adaptados às linguagens formadas no seio da cultura urbana e digital”, diz Baixo Ribeiro, fundador da galeria.

FREE HANDS

Reconhecido principalmente pela arte de mesclar luzes e esculturas, o artista multidisciplinar Alê Jordão traz ao público obras que transitam entre a arte e o design, o objeto escultórico e o funcional.

Durante a pandemia, Alê se reconectou com as pesquisas do início de sua trajetória, tempo em que já produzia a partir de linguagens e materiais diversos, da pintura à tapeçaria. Foi também nesse período que se deparou com uma série de radiografias suas, frutos de acidentes sofridos por manobras em cima do skateboard, esporte praticado pelo artista. Nasce, assim, Free Hands, projeto em que Jordão aplica oito radiografias de diferentes partes de seu corpo em tapeçarias de mais de 1 metro.

Sua personalidade irreverente e espirituosa o levou a situações singulares para dar vida à essa nova criação, como ir em busca de autorização médica para realizar radiografia do dedo médio, cujo resultado pode ser visto na série F**k. Com as mãos, o artista também radiografou símbolos como o ‘joinha’ e um coração feito com os dedos indicadores e polegares.

Baixo Ribeiro, que assina a curadoria da exposição, relaciona as obras do artista às formas primitivas da comunicação humana reapropriadas pela tecnologia, como os sinais feitos com as mãos. “Na internet, alguns desses sinais ganharam lugar mais que especial no vocabulário da rede. Sua ampla, generalizada e irrestrita utilização impulsionou a criação da linguagem dos emojis, uma língua de entendimento global”, diz o curador, reforçando que as imagens geradas pelas chapas de raio X expressam um método de impressão pouco utilizado no universo da arte contemporânea, embora tenham um apelo gráfico potente. “Ele explora a tecnologia radiológica sem se prender às tradicionais transparências em acetato”, finaliza.

Jordão explica que as radiografias passaram por ajustes de luz, mas suas representações são cruas, sem intervenções de outras técnicas artísticas sobre as peças de tapeçaria. “É uma proposta que dialoga com o início da minha carreira, mas também alude aos materiais com que mais trabalho hoje em dia, como os diferentes modos de se ajustar luz e sombra”, diz.

Baixo Ribeiro acentua que um dos ganhos da mostra é o humor do artista em trazer elementos facilmente reconhecíveis, mas organizados de um modo não convencional. “Essa experiência com inversões de expectativa objetiva tensionar a nossa relação de intimidade com os ícones que estamos vendo: conhecemos muito aquilo que está colocado a nossa frente, entendemos facilmente o sinal ali representado pela imagem da mão, identificamos imediatamente o raio X que mostra os ossos expostos e também conseguimos perceber sem nenhuma dúvida que estamos diante de um tapete, porém a tensão acontece por que todos esses códigos não batem”.

NOVA EM FOLHA

A já habitual mostra coletiva da Choque Cultural, apresenta, como o título sugere, as mais recentes criações dos artistas que integram a Galeria: Alê Jordão, Coletivo BijaRi, Daniel Melim, Jaca, Mariana Martins, Narcélio Grud, Rafael Silveira, Flávia Itiberê, Sérgio Adriano H e Tec.

São obras nos mais diversos suportes e linguagens, desde instalações de BijaRi, telas de Melim, JACA, Rafael Silveira e TEC, objetos e instalações de Mariana Martins, Narcélio Grud e fotografias de Adriano H. Um conjunto de obras no qual a Galeria fortalece seu manifesto embrionário por atuar no coletivo e reforça sua missão em posicionar-se como resistência frente às questões políticas e sociais da contemporaneidade.

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