AÇÕES ONLINE | EXPOSIÇÃO VICENTE DE MELLO | Paço Imperial

A mostra do fotógrafo Vicente de Mello ­– que tem sua trajetória no campo artístico marcada pela reflexão das possibilidades de configuração da linguagem fotográfica – acontece no Paço Imperial, Rio de Janeiro, até 25 de abril e reúne 44 trabalhos inéditos em fotografia digital, realizados em casa, durante o período de isolamento social.

A Programação, sempre às 19h, é intensa:

22/03 – Entrevista com Vicente de Mello.

23/03 – Visita guiada com Vicente de Mello.

24/03 – Entrevista com Aldones Nino.

25/03 – Visita guiada com Aldones Nino.

26/03 – Lançamento do catálogo eletrônico da exposição através do link:

Os vídeos são curtinhos e serão divulgados sempre através do canal da AREA27, no Youtube: https://www.youtube.com/c/AREA27PROD

Já o catálogo eletrônico será divulgado através da página do ISSUU da AREA27: https://issuu.com/area27prod/docs/area27_vicentedemello_limiteobliquo_catalogo_issuu

As imagens capturadas ratificam o olhar instigante e poético de Vicente de Mello, que tem o dom de ressignificar objetos promovendo um mergulho no imaginário de quem os vê. Nada é óbvio em suas fotografias, nem o título de cada uma de suas obras. A mostra inclui ainda a obra Ressaca da série Monolux.

Adepto do colecionismo, Vicente desenvolveu uma técnica de arquivo que reelabora o objeto em si, propondo novos diálogos formais. Em Limite Oblíquo, sua coleção de sedimentos de ressacas, coletados na praia de Itacoatiara, Niterói, geraram imagens que têm sua gênese ligada ao impacto de eventos meteorológicos extremos sobre o oceano, que se reordena em manipulações poéticas.

O fotógrafo mantém o hábito de coletar e guardar objetos desde a infância. – Sempre tive vontade de deter por perto as coisas que me instigam, que me atraem. Esta coleção, por exemplo, começou quando eu tinha três anos, época em que meus pais compraram um terreno em Itacoatiara, e me vi fascinado com as conchas, galhos e outros objetos de formas interessantes que encontrava na praia após as ressacas do mar – revela.

Limite Oblíquo é resultado dessa memória guardada há tantos anos. Recluso durante
a pandemia, período definido por ele como “momento de espera”, imergiu em seu trabalho e resolveu dar vida aos sedimentos utilizando sua mesa de luz.

– Tudo foi feito ao longo de duas noites – afirma Vicente, ao revelar que não tinha ideia de qual seria o resultado das imagens criadas contra a luz, o inverso do fotograma. Ao final, um universo de sombras e alegorias. – Um cosmos de imagens com sedimentos reconfigurados pelos contrastes formados pela obstrução da luminosidade – esclarece.

– As séries de Vicente de Mello versam sobre elementos e características do meio fotográfico como a luz, a câmera obscura e as possibilidades de enquadramento, tensionando e subvertendo as possibilidades expressivas da linguagem fotográfica. Suas contribuições no desenvolvimento da história da fotografia se expressam ao longo de suas três décadas de carreira – diz o curador.

Sobre Limite Oblíquo, Aldones explica que a posição da luz é invertida através da mesa como ponto luminoso, onde as ruínas da ressaca impedem que a luz chegue à lente da câmera digital.

A montagem de Limite oblíquo também é singular. – É um jogo visual que remete ao movimento das marés: quando o mar se retrai leva o que encontra na orla; quando volta, devolve à areia o que encontrou – afirma Vicente.

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