Já no piso superior da Cerrado Cultural, Um abraço em um fio de lã apresenta uma investigação de Abraão Veloso sobre a delicadeza como gesto de insurgência, sob curadoria de Divino Sobral. Reunindo trabalhos produzidos entre 2024 e 2026, a exposição combina pintura, tecelagem e o crochê tradicional aprendido na infância, articulando cores suaves e texturas táteis como formas de elaborar outras possibilidades de relação com o mundo contemporâneo.
Ao recorrer ao fio de lã e recuperar práticas manuais associadas ao ambiente doméstico, o artista questiona construções de masculinidade que tradicionalmente afastaram os homens do cuidado e do fazer artesanal. Em telas e esculturas têxteis, retrata jovens negros e integrantes da comunidade LGBTQIAP+, muitos deles amigos do artista ou representações de si próprio, envolvidos em momentos de pausa e intimidade. Na série Nagô, a lã se aproxima das formas das tranças africanas, articulando afirmação de identidade, memória familiar e valorização das ancestralidades negras.
Vivendo e trabalhando em Goiânia, Abraão Veloso (Ipatinga-MG, 1997) atua como assistente no Sertão Negro – Ateliê e Escola de Arte. Bacharel em Artes Visuais pela UFMG, o artista já realizou exposições individuais em Belo Horizonte e participou de importantes mostras coletivas, entre elas Baobá no Asfalto (Sé Galeria, São Paulo) e a SP-Arte.

