O Galpão da Lapa, espaço cultural instalado em um armazém histórico do complexo Ceagesp, na Vila Anastácio, zona oeste de São Paulo, passa a disponibilizar agendamento de visitas ao público geral a partir do dia 1º de abril. O espaço, que existe há oito anos e é conhecido no circuito de arte nacional, operava até então com visitação restrita a convidados. A partir desta data, qualquer pessoa pode agendar uma visita pelo site e participar de sessões guiadas, oferecidas em turnos semanais às quintas-feiras ao longo do dia e aos sábados pela manhã. Os grupos têm capacidade máxima de 20 pessoas por sessão. O acesso é inteiramente gratuito. A trajetória do espaço começa antes do endereço atual. Em 2000, os colecionadores Andrea Pereira e José Olympio adquiriram um apartamento no centro de São Paulo e o converteram integralmente em espaço expositivo, inaugurado em 2003. Com o crescimento contínuo da coleção ao longo dos anos, o casal encontrou, em 2017, o galpão com capacidade de abrigar o acervo com condições expositivas adequadas.
O acervo reúne mais de 2.000 obras, de cerca de 180 artistas, e foca na produção artística brasileira. A coleção abrange diferentes gerações e linguagens da arte contemporânea nacional, com foco a partir dos anos 1950, reunindo nomes como Lygia Pape, Waltercio Caldas, Adriana Varejão, Leonilson, Anna Maria Maiolino e Ernesto Neto, entre outros. Uma de suas características é o colecionamento em profundidade: o casal reúne diferentes momentos de cada trajetória artística, o que permite uma leitura longitudinal de cada produção.
A disponibilização do agendamento ao público geral visa ampliar o alcance do acervo a novos perfis de visitantes, estudantes, pesquisadores, grupos universitários e escolares, além do público em geral. Grupos com interesse específico podem agendar visitas coletivas pelo site.
Em cartaz: Constelação em trânsito: uma escuta cartográfica
Intitulada Constelação em trânsito: uma escuta cartográfica, a exposição atualmente em cartaz no Galpão da Lapa parte de uma inversão metodológica em relação à curadoria convencional. Em vez de um enunciado prévio que orienta a seleção de obras, Luísa Duarte adotou uma postura de escuta diante do acervo, deixando que os próprios trabalhos indicassem agrupamentos, ressonâncias e percursos. A referência é a noção de cartografia formulada pela psicanalista Suely Rolnik: um traçado que se faz em movimento, sintonizado com as variações da paisagem. O resultado são três constelações: Arquiteturas do Inconsciente, Geometrias do Sul e Topologias do Orgânico, tratadas não como categorias fechadas, mas como campos porosos que se atravessam e se dissolvem mutuamente.
A exposição reúne trabalhos de 65 artistas, entre eles Adriana Varejão, Alex Cerveny, Amelia Toledo, Ayrson Heráclito, Brígida Baltar, Cao Guimarães, Carlito Carvalhosa, Carmela Gross, Claudia Andujar, Erika Verzutti, Ione Saldanha, Jaider Esbell, Jac Leirner, Leonilson, Mira Schendel, Nuno Ramos, Rivane Neuenschwander, Sandra Cinto, Solange Pessoa, Tunga, Waltercio Caldas e o coletivo MAHKU. No mezanino do espaço, o núcleo audiovisual Confluências apresenta quatro obras em vídeo que dialogam transversalmente com as três constelações.

