A Partilha do Imperador Pedro II: inventário, coleções e diálogos contemporâneos | Museu da Justiça

Daniel Lannes, Exílio. Foto: Giovanna Lanna

Após dois anos de obras, o Museu da Justiça, localizado na Praça XV (RJ), apresenta ao público a conclusão da primeira fase de revitalização do espaço. O projeto de reforma e modernização entregou duas salas interativas com a exposição permanente, contando a história do direito e do sistema judiciário no país e no mundo, além de uma nova programação de mostras temporárias. A reforma teve início em 2023, por meio de uma parceria entre o Museu da Justiça e a empresa Fora, especializada em projetos culturais.

Com curadoria de Paulo Knauss e Marcia Mello, a exposição “A Partilha do Imperador Pedro II: inventário, coleções e diálogos contemporâneos” aborda a memória e o legado do ex-Imperador. Quando D. Pedro II foi banido e retornou à Europa com a família, dezenas de caixotes foram com ele para a França, levando do país importantes objetos, livros e documentos que contavam a história do Brasil.

Diversos itens, em especial mobiliário e objetos de casa, também foram oferecidos em pregões no Leilão do Paço, em 1890. Excluídas da venda e ameaçadas de confisco pelo regime republicano, suas coleções de livros, fotografias e outros objetos foram doadas pelo imperador em julho de 1891, por carta, ao Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), ao Museu Nacional e à Biblioteca Nacional.

A mostra percorre os anos finais de vida de Pedro II, partindo da expulsão da família real do Brasil pelo novo governo republicano, em 1889, e seguindo o rastro de seus bens e coleções e de seus registros. A exposição foca exatamente nas consequências da dispersão desse patrimônio e das memórias imperiais, e os esforços, décadas depois, para resgatar e preservar essa história. Reúne mais de 100 obras de acervos como do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil – IHGB, Museu Imperial de Petrópolis, Museu Histórico Nacional, Museu Histórico da Cidade, Museu de Arte do Rio e Biblioteca Nacional.

Reforçando como a história de um país está sempre viva quando os objetos reforçam sua presença, a mostra finaliza com obras contemporâneas que remetem a esse período do fim do Império. Para essa fase, estão presentes obras de artistas Claudia Jaguaribe, Daniel Lannes, Érica Magalhães, Hal Wildson, Marcel Diogo, Sergio Allevato, Silvana Mendes, Rosana Paulino, Edgar Kanaykõ Xakriabá e Yhuri Cruz.

A expografia dessas duas mostras é assinada pela Grua Arquitetos, que desenvolveu um mobiliário sob medida para mediar a presença das obras nos espaços históricos e de personalidade marcante do Museu.

Compartilhar: