A outra África: trabalho e religiosidade | Museu de arte Sacra e Diversidade Religiosa

Máscara Ngaady a Mwash, Povo Kuba, Século 20, República Democrática do Congo | FOTO: Estevan dos Anjos

O Museu de arte Sacra e Diversidade Religiosa da cidade de Olímpia (SP) traz um desdobramento da exposição homônima realizada no Museu de Arte Sacra de São Paulo, em 2020. Em A outra África: trabalho e religiosidade, estão reunidas 220 obras provenientes da Coleção Ivani e Jorge Yunes, um dos mais abrangentes acervos de arte do país. “Reconhecer a presença africana amplia a nossa concepção de mundo e permite perceber aspectos das relações entre povos e regiões do planeta pouco conhecidos e compreendidos ao longo do tempo. Tal aprendizado ilumina nosso entendimento sobre processos históricos e dinâmicas sociais”, ressalta Beatriz Yunes Guarita, diretora da Coleção Ivani e Jorge Yunes.

Para a mostra, o curador e pesquisador de arte africana, Renato Araújo da Silva, selecionou objetos da cultura africana de artistas anônimos, entre terracotas, urnas funerárias, máscaras, estatuetas, armas, joias, instrumentos musicais, objetos do cotidiano, bustos e arte da corte de Benin, que representam 29 etnias africanas. “Ao mesmo tempo que é uma África que se remete ao mundo tradicional, antigo, trata-se de uma África que readaptou do seu próprio modo a sua prática artística no mundo contemporâneo, fazendo do trabalho do artista popular uma homenagem aos seus, aos nossos ancestrais”, ressalta Araújo.

Já Rafael Schunk, o curador do núcleo que reúne a arte afro-cristã fez um recorte da Coleção que inclui, além de peças e esculturas sacras, os chamados Black-a-Moor (figuras antropomórficas mouras produzidas como tocheiros ou peças decorativas originárias da cultura veneziana), as pinturas sul-americanas mestiças, os balangandãs da Bahia, imaginária colonial. Deste núcleo grandes nomes se destacam, como Mestre Valentim (1745-1813) e Antônio Francisco Lisboa “o Aleijadinho” (1738-1814), considerado um dos maiores expoentes da arte barroca nas Américas. “A arte sacra cristã de influência africana no Brasil é o resultado das intensas trocas culturais e comerciais de Portugal com os territórios de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Moçambique e o reino do Congo cristianizado desde final do século XV”, explica Schunk.

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