A memória é uma invenção | MAM Rio

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro abrirá, no dia 4 de setembro, a exposição A memória é uma invenção, como parte do projeto Legados Vivos, desenvolvido com o apoio do Instituto Cultural Vale. Sob a curadoria de Beatriz Lemos, Keyna Eleison e Pablo Lafuente, a mostra reúne cerca de 300 obras provenientes do acervo do MAM Rio e de outras duas instituições: o Museu de Arte Negra/IPEAFRO, associação sediada no Rio de Janeiro, responsável pelo legado de Abdias Nascimento; e o Acervo da Laje, dedicado à memória artística, cultural e de pesquisa sobre o Subúrbio Ferroviário de Salvador, fundado em 2011

Com pinturas, gravuras, esculturas, fotografias e azulejos, a exposição reflete sobre os processos de construção de patrimônio, legado e cultura comum, ao apresentar no mesmo espaço expositivo os três acervos de arte com diferentes histórias, dinâmicas e projetos. Reunidas, as coleções mostram repetições e semelhanças nas escolhas de categorias e formatos, nos entendimentos do que faz uma obra ser conservada como parte de um legado e nos métodos de compartilhamento das obras como parte de uma memória coletiva. 

Vindos do acervo do Museu de Arte Negra/IPEAFRO, trabalhos de Abdias Nascimento, Heitor dos Prazeres, Carlos Scliar, Gerson de Souza e Chico Tabibuia, entre outros, estabelecem relações de convergência com obras de Adilson Paciência, Zaca Oliveira e Indiano Carioca, artistas que fazem parte do Acervo da Laje. As duas coleções dividem espaço com peças de Anita Malfatti, Inimá de Paula, Lucio Fontana, Maria Leontina e Yara Tupinambá, do acervo do MAM Rio.

Para Lafuente, diretor artístico do museu carioca, A memória é uma invenção pretende provocar reflexões sobre a construção da história e suas narrativas, suas inclusões e exclusões, ao mesmo tempo em que propõe um exercício de imaginação: “Esta exposição é um desafio a inventar outras configurações do comum desde a instituição. Ela inaugura uma maneira de repensar patrimônio e memória. Um caminho que, longe de compensar as violências do passado, acredita em outras formas de criar memórias que inspirem múltiplas possibilidades de vida no presente e no futuro”. 

Compõe o projeto de troca institucional entre o MAM Rio e o Instituto Cultural Vale, o ciclo de conversas Cenas de Cultura Imaterial, iniciado em julho e realizado em parceria com o Centro Cultural Vale Maranhão. Em paralelo à exposição, as conversas permitem pensar a cultura a partir de paradigmas mais complexos e constituem um horizonte para conceber novas possibilidades e questionar os limites das instituições culturais, incluindo os museus.

“Esperamos que os movimentos de reflexão provocados nas nossas trocas com o MAM Rio permaneçam nos novos diálogos e práticas entre os espaços culturais e nas relações com os diversos públicos que pensam e fazem arte, cultura e educação no Maranhão, no Rio de Janeiro, no Brasil e no mundo”, afirma Hugo Barreto, diretor presidente do Instituto Cultural Vale. 

Com o intuito de suscitar diálogos sobre os processos de construção de patrimônio, a mostra gera uma publicação de mesmo título, com 200 páginas, a ser lançada em dezembro. O MAM Rio convidou pesquisadores do Sul Global a comentar diferentes perspectivas de memória em resposta à exposição, expandindo seu conceito. A publicação refletirá acerca de como a história e o patrimônio estão representados nas coleções e sobre como a memória múltipla e as transversalidades nos unem a partir das diferenças. 

“Este projeto trata de legitimidade e invisibilidade, presenças e ausências, bem como de apagamentos de certos acervos constituídos por artistas periféricos, racializados e de fora do eixo econômico do país”, analisa Beatriz Lemos, curadora do MAM Rio.

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