Em um ambiente de penumbra, o visitante se encontra experimentando o universo ficcional, fantástico e sombrio de duas personagens femininas que inventam mundos e sugerem viagens tanto espaciais quanto temporais. É dentro dessa atmosfera que as artistas e cineastas Darks Miranda e Mariana Kaufman apresentam A gruta, a ilha, exposição de audiovisual expandido que ficará em exibição a partir do dia 20 de dezembro, na galeria de arte do Sesc Copacabana, com curadoria da artista e professora Anna Costa e Silva. Tendo como base a produção em vídeo das duas artistas, A gruta, a ilha conta também com esculturas, objetos e instalações que, juntamente com as projeções audiovisuais, compõem o universo da exposição. Até 22 de fevereiro de 2026, enquanto estiver em cartaz, a exposição contará com uma agenda de conversas com alguns convidados de diferentes áreas, sempre aos sábados, no final de tarde.
Para além de exercerem uma prática artística híbrida, em diferentes mídias, Mariana Kaufman e Darks Miranda, que acaba de ganhar o Prêmio Pipa 2025, têm trabalhado em torno das ideias de imaginação e fantasia como propulsoras da invenção de outros tempos e espaços, a partir da força criadora da arte.
Ao colocar em crise evidências do mundo contemporâneo a partir de um posicionamento ambientalista e feminista, a obra, além de formular uma tomada de posição política, também abre um campo de ressonâncias onde o gesto crítico se entrelaça à invenção de linguagens próprias, sensíveis e indisciplinadas, criando modos singulares de experiência que atravessam o olhar do espectador e o convocam a sentir, pensar e habitar o mundo a partir de outras frestas.
Darks e Kaufman estudaram juntas no curso de cinema da UFF, em Niterói. Anos depois, se encontraram nas formações da EAV Parque Lage e na pós graduação em Literatura e Artes Visuais, quando começaram a pesquisar artistas e pensadoras como Hito Steyerl, Tacita Dean, Wislawa Szymborska, Donna Haraway, Mary Shelley, Claire Denis e Yoko Ono e a desenvolver os trabalhos apresentados.
Sobre os trabalhos
Ao todo, serão exibidos nove trabalhos – quatro de cada artista e uma instalação inédita, criada em conjunto especialmente para a exposição -, formando um amálgama de imagens, sons e volumes, criando um ambiente imersivo em que uma obra surge como parte da outra (e assim por diante). Além de se sustentarem individualmente, os trabalhos formam um corpo único, convidando o público a uma viagem por outras galáxias, faunas, floras e geografias do impossível.
Muitos deles trabalhos circularam por festivais de cinema no Brasil e no mundo, assim como participaram de exposições em galerias e centros culturais importantes. “A ilha do Farol” (Kaufman, 2017, realizado em parceria com Jô Serfaty) será mostrado em um monitor com fone de ouvido intercalado com “A ilha” (Miranda, 2023). O filme “Mehr Licht!” (Kaufman, 2016) será projetado em uma tela e intercalado com o filme “A figura da quimera seria mais adequada” (Darks, 2023, realizado em parceria com Juno B.). A escultura “Corpo Mineral”, criada por Darks, a instalação “Futuro” (Kaufman, 2016), o vídeo “Natureza Morta” (Kaufman, 2016), o vídeo “Uma noite perigosa na ilha de Vulcano” (Miranda, 2022) junto com a instalação inédita (ainda sem título), completam a relação de trabalhos mostrados.
Todos os vídeos terão legendas em português, tornando-se acessíveis para deficientes auditivos. O som dos vídeos é reproduzido através de fones individuais, o que facilita a relação com as obras para deficientes visuais.

