Fortes D’Aloia & Gabriel – Escrito no Corpo.

A Fortes D’Aloia & Gabriel apresenta Escrito no Corpo. A exposição coletiva com curadoria de Keyna Eleison e Victor Gorgulho propõe a costura entre produções de jovens e consagrados artistas, em diálogo com o acervo do Teatro Experimental do Negro (TEN), fundado e dirigido por Abdias Nascimento.

A reflexão acerca de uma dimensão narrativa do corpo perpassa diversos dos trabalhos da mostra, especialmente as foto-performances de Ana Beatriz Almeida, Antonio Tarsis, Ayrson Heráclito, Castiel Vitorino Brasileiro e Carla Santana. Através de diferentes abordagens, tratam-se de obras que partilham a ideia de uma escrita de si através do ato performativo, aqui apresentado em suas diversas possibilidades de documentação. A fotografia de Melissa Oliveira, por sua vez, caminha em via oposta na busca de arquitetar um olhar sobre o outro, entendendo esse suporte como um poderoso exercício de alteridade e construção de subjetividade.

O vídeo aparece como meio para outros gestos performáticos de natureza similar, seja na busca por seu próprio reflexo empreendida por Rodrigo Cass em Narciso no mijo, como na documentação da ação Devolta, de Diambe, emque a artista coreografa um círculo de fogo ao redor da estátua de D. Pedro II, na Praça Tiradentes, Rio de Janeiro. A imaginação em torno de outras possíveis narrativas históricas também aparece na obra Mapa de Lopo Homem II, de Adriana Varejão, que nos recorda das feridas legadas pela violência do processo colonial Brasileiro e na escultura em gesso de Armando Andrade Tudela, que evoca a imagem de uma “cabeça” desfigurada em processo de desconstrução. A problematização em torno do imaginário colonial está também na obra de Herbert de Paz, que
preenche a silhueta de uma figura humana com imagens de origem iconográfica, hoje amplamente debatidas e
dissecadas em suas controvérsias.

O interesse pela fricção entre corpo e escultura também se manifesta na obra do artista pernambucano Iagor Peres. Através da mistura de matérias orgânicas e sintéticas, o artista cria uma pele-material que se esgarça pelo espaço, repousando sobre blocos de concreto. Esta ausência da figura humana – sugerida pela presença de outros artifícios – também está no Vestido de Efrain Almeida, enlaçado por uma coroa de espinhos, e na escultura de Agrippina R.Manhattan, cuja Serpente forja uma narrativa autobiográfica.

A narratividade do corpo reaparece nas pinturas de Panmela Castro e de Moisés Patrício. Ao passo em que as obras de Castro (da série Vigília) são retratos íntimos de pessoas próximas a artista que se dispuseram a acompanhá-la durante uma noite do período da pandemia, os personagens das telas de Patrício fazem referência a ritualística do
candomblé.

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