A M. Redig Art Gallery inaugura seu novo espaço em Recife com a exposição inédita A Cor que Habita o Ser, do artista plástico Gabriel Wickbold. A abertura acontece no dia 23 de abril, na sede localizada no bairro do Pina, marcando o início da programação expositiva da galeria e a primeira apresentação individual do artista na cidade.
Concebida especialmente para a ocasião, a A Cor que Habita o Ser reúne obras em que a cor vermelha atravessa diferentes momentos da produção do artista como elemento estruturante. Mais do que um dado cromático, a cor aparece como presença — algo que não recobre apenas a superfície da imagem, mas parece emergir do próprio corpo retratado, instaurando uma tensão entre interior e exterior. Associado historicamente ao sangue, ao desejo e à intensidade da vida, o vermelho adquire, nas obras, uma dimensão visceral, vinculada ao que pulsa sob a pele e antecede a nomeação. Ao longo de sua trajetória, o artista investiga o corpo humano como território simbólico e campo de projeção, e, em séries como Sexual Colors, I am Light e outros desdobramentos de sua pesquisa visual, a cor deixa de operar como intervenção estética para se constituir como linguagem emocional — capaz de revelar estados de energia, tensão, desejo e vitalidade.
Ao reunir trabalhos em que essa tonalidade se impõe como eixo, evidencia uma continuidade na pesquisa do artista, conectando diferentes fases de sua produção e aprofundando uma investigação persistente sobre aquilo que atravessa o humano. As imagens não se limitam a representar, mas sugerem a cor como estado — algo que pulsa, vibra e se projeta para além da superfície da obra, instaurando uma dimensão sensorial que aproxima corpo e imagem. A apresentação da mostra em Recife insere esse conjunto no contexto local pela primeira vez, ampliando o alcance de uma trajetória já consolidada em outros circuitos.
Nascido no Rio de Janeiro em 1984, Gabriel Wickbold iniciou sua carreira em 2006 e desenvolveu séries autorais que exploram identidade, corpo, tecnologia, espiritualidade e comportamento humano. Sua produção se destaca pelo uso expressivo da cor, intervenções sobre o corpo e construções visuais que transitam entre fotografia, instalação e experimentação estética. Com reconhecimento internacional, o artista realizou exposições em cidades como São Paulo, Nova Iorque, Londres, Lisboa e Miami, além de integrar coleções públicas e privadas, como o Museu de Arte Brasileira da FAAP e o Erarta Museum, na Rússia.
A inauguração do novo espaço marca uma etapa decisiva na atuação da M. Redig Art Gallery e consolida o projeto do galerista Mauricio Redig. À frente da iniciativa, Redig estrutura a galeria a partir de um olhar que busca articular diferentes temporalidades da produção artística, promovendo o diálogo entre a arte moderna e a contemporânea sem hierarquias estanques. Mais do que um espaço expositivo, a galeria se configura como plataforma de construção de discurso, na qual a seleção de artistas e projetos revela um interesse em aproximar consistência histórica e experimentação atual. Nesse sentido, a escolha de abrir a programação com Gabriel Wickbold indica não apenas a representação do artista, mas também um posicionamento claro: o de investir em trajetórias que operam no limite entre linguagem visual, pesquisa conceitual e comunicação com o público.
Com um acervo que reúne nomes relevantes da arte brasileira, a galeria se estabelece como um ponto de convergência entre a tradição moderna e a vitalidade da produção contemporânea, inserindo-se no circuito cultural de Recife com a proposta de ampliar repertórios e fomentar novas leituras sobre a arte no país. A atuação de Mauricio Redig, nesse contexto, não se restringe à gestão do espaço, mas se projeta como mediação ativa entre artistas, obras e público, contribuindo para a formação de um ambiente de circulação e reflexão.

