Com curadoria de Ana Paula Lopes, a exposição Gestos Indizíveis, do artista Adriano Machado, chega em Simões Filho (BA). A mostra se inspira no pensamento de Azoilda Loretto da Trindade é o projeto vencedor da 17ª edição do Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia. Após passar pelo Rio de Janeiro, as fotografias de Machado ocupam o MASF, o Museu de Arte de Simões Filho, em projeto idealizado por Augusto Leal, que ocupa uma escadaria do bairro CIA I. A abertura acontece no dia 29/11, às 16h, com entrada franca para todo público.
Em Gestos Indizíveis, o artista visual baiano Adriano Machado, realizou uma pesquisa entre os estados do Rio de Janeiro, Pará e a Bahia, analisando gestos cotidianos, materialidades e modos de ensinar e aprender transmitidos em família e comunidade. A exposição se inspira nos Valores Civilizatórios Afro-Brasileiros, sistematizados pela educadora e intelectual negra Azoilda Loretto da Trindade (1957–2015), referência fundamental na pedagogia afro-brasileira. Circularidade, corporeidade, musicalidade, ancestralidade, memória, ludicidade e axé são alguns desses princípios que atravessam o trabalho de Machado, conduzindo uma poética que fala de afeto, proteção, mistério e coletividade.
Para o artista, o encontro com as pessoas e seus cotidianos é sempre ponto de partida: “Na minha fotografia, é essencial que exista a presença da confiança. As pessoas fotografadas precisam compartilhar a narrativa comigo. Quase tudo na imagem vem delas, de suas casas, de suas memórias, para que possamos criar cenas perenes”, explica.
Gestos Indizíveis surge do que Machado chama de territórios afroinventivos, espaços imaginários e poéticos que atravessam cotidiano, ancestralidade e modos de existir afro-brasileiros. Para construir essas obras, o artista desenvolveu um método de atenção aos saberes invisíveis, aprendendo com a capoeira angola, observando a oficina de solda do pai e acompanhando o trabalho diário de familiares que vendem e fabricam comida ou roupas. Esses gestos, muitas vezes sutis, se tornam material para fotografias e vídeos que exploram madeira, ferro, barro, água, fogo, música e outros elementos, transformando o cotidiano em narrativa estética e política.

