60 anos de Atelier Livre | Galeria e Espaço Cultural Duque

O Atelier Livre Xico Stockinger representa boa parte da história da arte do Rio Grande do Sul. O espaço, localizado no Centro Municipal de Cultura de Porto Alegre, transcende à sua localização física e se configura como ambiente dos grandes mestres e berço dos primeiros passos de muitos artistas gaúchos. Essa trajetória será contada em imagens na Galeria e Espaço Cultural Duque, na Rua Duque de Caxias, 649, no Centro Histórico de Porto Alegre. A exposição 60 anos de Atelier Livre inicia no sábado, 2 de outubro, e vai até 20 de novembro, com a curadoria de Daisy Viola e José Francisco Alves. O evento integra as ações de comemoração pelos 9 anos da Galeria Duque, que serão celebrados em novembro.

“O Atelier Livre é mais que um lugar, é um espaço. Não só físico, é um espaço na vida de quem o frequenta ou um dia frequentou. Não há quem esqueça de sua passagem por ali. Orgulha-me viver em uma cidade que oferece ao seu público uma escola de arte livre para adultos, um lugar onde as pessoas se sentem iguais, lado a lado, mesmo sendo muito diferentes, vindas de universos muitas vezes opostos, de tempos distantes. Ali, o assunto é comum. Uma cor ou pincelada que transformam colegas em amigos. Parece que a porta de vidro que separa e une o Atelier do Centro Municipal de Cultura é uma passagem secreta para um mundo mágico, onde todos ficamos mais próximos de realizar nossos sonhos de expressão artística”, discorre Daisy.

Criada em 1961, a partir de curso no ano anterior ministrado por Iberê Camargo, a escola foi criada pela Prefeitura de Porto Alegre para propiciar um novo espaço de aprendizado artístico, uma experiência coletiva, livre, sem finalidade de obtenção de diploma ou assemelhados. Desde lá, o objetivo do Atelier Livre foi e continua sendo o mesmo: a experimentação de técnicas; a existência de um espaço de trabalho para os artistas produzirem suas obras, sob orientação de professores-artistas; o intercâmbio com artistas do Brasil e exterior; a realização de exposições e eventos; a divulgação da história da arte e da profissionalização da arte.

Berço da arte gaúcha

A exposição que comemora os 60 anos do Atelier Livre vai apresentar obras de artistas que fizeram parte da história dos primeiros anos do Atelier, na década de 60 até os anos 90, com trabalhos que integram o acervo da Galeria Duque, selecionados a partir da curadoria de José Francisco Alves. Essa parte, que ocupa os dois primeiros andares da galeria, destaca obras de grandes nomes como Xico Stockinger, Vasco Prado, Danúbio Gonçalves, Iberê Camargo, Magliane, Zoravia Bettiol, Ado Malagoli, Alice Soares, Enio Lippmann, Henrique Fuhro, Paulo Peres, Paulo Porcella e muitos outros que fizeram parte dessa história.

No terceiro andar da Galeria Duque, a mostra apresenta a produção das gerações mais recentes do Atelier Livre, a partir de 1991, demonstrando o vigor das jovens produções e a busca pela profissionalização. “No quarto andar, faremos uma homenagem ao artista e professor Wilson Cavalcanti, o Cava. Essa será uma exposição só de alunos dele, um artista que atravessou toda a história do Atelier, tendo iniciado como aluno lá no comecinho do espaço e se aposentado como professor há poucos meses”, conta Daisy.

O terceiro e o quarto andar serão ocupados por essa nova geração de artistas e grupos que fazem e continua fazendo parte da história do Atelier Livre: Adma Corá, Adriano Mayer, Aglae Freitas, Ana Alvares Tita, Antônio Sobral, Carmen Lúcia Nieder (Tuche), Daniele Almirom, Denise Haesbaert, Dirnei Prates, Edemir Wandescheer, Elisa Troglio Fróes, Graça Craidy, Isabel Ferreira, Jonas Figur, José Kanan, Luciano Machado, Luck Herbert, Lúcio Spier, Marcelo Monteiro, Maria Nazaré Melo, Milton Caselani, Rairaa Noal, Raquel Fontoura, Ricardo Aguiar, Ricardo Olszewski, Rosane Morais, Rogério Livi, Rogério Maduré, Solange Stangler, Tereza Albano e Zeca Albuquerque, além do Grupo Gralha Azul (Mara Caruso), e da Confraria da Pedra (Francisco Alves). Também haverá uma intervenção na fachada central com os barquinhos de papel do Roberto Freitas.

“O Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre, denominado “Xico Stockinger” em 2012, em reconhecimento a um dos seus fundadores e seu primeiro diretor, passou nessas seis décadas por altos e baixos, quatro sedes, abundância e carência de recursos públicos, maior ou me/nor reconhecimento por parte das autoridades municipais, mas segue em atividade, apesar das dificuldades, da pandemia e dos novos desafios. Esta exposição é um exemplo de parte de seu legado; é o momento de homenagearmos os seus 60 anos, que não poderiam deixar de ser celebrados”, destaca o curador José Francisco Alves.

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