48h_48min: Isadora, o Oráculo e as incertezas

Com 48 horas prévias de imersão e quatro performances de 48 minutos cada, nos dias 17, 18, 24 e 25 de abril acontecem as transmissões ao vivo da exposição performática 48h_48min: Isadora, o Oráculo e as incertezas.
Serão dois blocos de 48 min por dia, às 16h48 e às 20h48, transmitidos pelo Instagram e pelo YouTube , com os nove artistas criando e interagindo com o público por meio de materiais visuais – vídeos, músicas, textos, fotografias e performance -, enviados pelas redes sociais. Tudo à mercê da profecia do I-Ching e a aleatoriedade de Isadora – programa de manipulação de imagens e sons que atua de maneira randômica.
Cada um dos artistas convida ainda um participante de fora – não necessariamente um artista – para ocupar o seu lugar em uma das performances, seja pela sede do projeto (Casa Amélia, em São Paulo) ou online direto de seus espaços. A ideia é abrir possibilidades para realidades e narrativas distintas, afetar e ser afetado dentro da diversidade, alargando assim os horizontes de ação e criação.

E o projeto já começou! O público é convidado a criar ou documentar a partir das mesmas influências que os artistas do núcleo, entrando para a galeria da exposição e servindo como inspiração ou mote para as 48 horas de imersão. Os trabalhos pré-gravados são automatizados e embaralhados no programa Isadora, a artista artificial do projeto. E o resultado final será documentado e disponibilizado no site do projeto. As interações entre o público e os artistas (via hashtag #48_48) abrem um horizonte infinito de possibilidades e conexões.

A participação do público pretende flertar com o ‘hackeamento’ da superficialidade virtual, tentando ressignificar a atuação nas redes e sem uma curadoria. “Como criar conexão real no espaço não físico? Como criar presença relevante dentro da distância física? Produzindo arte colaborativa e promovendo interações livres ao redor de um centro gravitacional bastante vasto”, comenta Pablo Casella.

Convocatória

Os integrantes do projeto selecionarão ainda oito artistas ou coletivos de artistas brasileiros – especialmente pessoas emergentes com marcadores sociais não privilegiados, ou que abordem questões identitárias, de gênero e raciais – que sejam de fora de São Paulo para participar. Os interessados poderão se inscrever entre 6 e 12 de abril pelo link http://projeto48.com/editalexpresso/. No dia 20, os selecionados serão avisados e vão receber uma verba bruta de mil reais e compor a programação da live de encerramento.

Por que 48 horas?

A partir de dispositivos e limitações, a ideia principal é vivenciar momentos de inspiração em possibilidades do tempo real, do agora. Com o pouco tempo de produção, os trabalhos tendem a seguir uma ‘correnteza do inconsciente’, em que elementos passeiam e são processados de forma bastante intuitiva, dando lugar aos rascunhos e às improvisações. A reflexão se volta ao risco, ao acaso e à autenticidade do momento presente.

“O mundo vive hoje uma tempestade sem precedentes. Crise pandêmica, econômica, ambiental, corrosão dos sistemas democráticos e, principalmente, a síndrome da incerteza. Enquanto somos bombardeados por especulações e teorias diversas. Ao mesmo tempo, estamos todos isolados frente às telas de computadores e smartphones. Essa fotografia do mundo atual define os elementos desse projeto”, explica Pablo.

Como tudo começou

O projeto nasceu em 2019, quando sete artistas ocuparam a Casa da Luz, no centro de São Paulo, por 48 horas para criar uma exposição performática e documental de 48 min, refletindo sobre o entorno e o interno. Cada artista recebia sua ‘profecia’ em forma de uma tiragem do I Ching (O livro das mutações – oráculo milenar da cultura chinesa), como primeira fonte de inspiração.

O Oráculo

O ‘oráculo’ é a tiragem do I Ching e norteia todo o processo. O I Ching ou ‘o livro das mutações’, é popularmente conhecido como um sistema divinatório de análise das energias presentes e consequente ‘previsão’ do futuro, mas é também utilizado como ferramenta para definir conteúdos de estruturas semióticas como cinema e literatura.

No projeto, ele define o terreno comum, o mutável e o imutável, sem definir resultados e consequências.

Por se tratar de um livro milenar, sua linguagem é muitas vezes conflitante com os dias atuais. Expressões como ‘o homem superior’ e ‘feudos’ são recorrentes. Por isso, no projeto 48_48, os textos do oráculo recebem releituras e reprocessamentos, sendo desafiado pela contemporaneidade.

Isadora

‘Isadora’ representa a aleatoriedade, o oceano de possibilidades e impossibilidades ao qual estamos sujeitos no ambiente virtual. O programa de computador vai randomicamente processar, automatizar e alterar um arquivo de imagens alimentado pelos artistas e público, tornando-se assim o ‘artista artificial’ do projeto, simbolizando a presença impactante dos algoritmos das redes no mundo como o conhecemos hoje.

O projeto conta com o artista visual Ivan Padovani , o artista multimídia Jp Accacio , a artista visual e performer Leticia Kamada , a cantora, produtora musical e performer Ligia Kamada , o músico, compositor e artista visual Pablo Casella , o músico e produtor musical Pipo Pegoraro , o artista visual, professor e pesquisador Rodrigo Gontijo , a bailarina e musicista Tayna Ibanez e o artista visual e pesquisador Victor Leguy .

As lives têm apoio e patrocínio do Ministério do Turismo, Secretaria Especial da Cultura, Governo do Estado de São Paulo e Secretaria da Cultura e Economia Criativa de São Paulo por meio do Edital PROAC Expresso Aldir Blanc, com o objetivo de fomentar o acesso à cultura e a economia criativa.

Presença e ausência. Virtualidade, realidade e o espaço físico. Existem fronteiras?

Compartilhar: