Coleções em movimento vem dar continuidade ao ciclo iniciado pela criadora e diretora Valéria Martins com Projeto Coleções ( 2009 ), Coleções em campo ( 2012 ), Zona de Lançamento ( 2014 ) e seus desdobramentos; drama.mov ( 2016 ), Redoma ( 2018 ) e Horizonte Móvel ( 2020 ). Todos os trabalhos são referências de uma linguagem de pesquisa de movimento híbrida, fundindo artes visuais, dança, acrobacia, improviso e dramaturgia aberta, apresentados em locais icônicos como o Palácio Gustavo Capanema – RJ, Instituto Inhotim – MG, Parque Lage – RJ, Museu Murilo La
Greca – PE, Museu de Arte do Rio – RJ, entre outros.

O encontro das obras ativadas pelos corpos nesses locais de grande beleza e impacto arquitetônico elevaram os trabalhos a instalações de grande escala, onde a fruição do público era parte fundamental dela. No momento atual, quando a arte performática se encontra em suspensão devido a pandemia que nos assola, Coleções em Movimento, a nova etapa dessa pesquisa, se apresenta como uma série de doze filmes-arte com ênfase na experiência cinematográfica. Todos criados e filmados sem público na bucólica Ilha de Paquetá, local que fez parte do repertório de
lazer da maioria das famílias cariocas, mas que no momento se encontra esquecido e pouco habitado.

Seguindo todos os protocolos sanitários, essa excursão-happening passou cinco dias na ilha em caráter de residência artística dialogando com duas câmeras, isolamento social, natureza esplêndida, animais domésticos e silvestres, objetos e escultura de arte. Direção, intérpretes-criadores, fotógrafo, todos foram provocados por esses elementos. A paisagem foi encarada como entidade dinâmica que apela para uma atitude estética e esse olhar e afetos resultaram em qualidades de movimento e reações em função absolutamente do espaço-tempo, do simulacro de liberdade e do atravessamento contundente do acaso e improviso.

Nada foi previamente criado ou ensaiado. O elenco composto por 4 bailarinos, 1 músico e skatista e 1 encenador ia de 29 à 74 anos de idade. Algumas pessoas só se conheceram na ilha.
O jogo começava em cada locação escolhida com Valéria dando algumas coordenadas que ilustravam possibilidades e a partir disso as câmeras eram ligadas, numa relação de ampla cumplicidade e invasão consentida. A condução do movimento sempre seguiu o curso do acaso e da improvisação permitindo com isso que entrassem para os filmes uma família de cães, árvores serpentinas, partituras de ventos musicais, ilhas hipopótamos e toda sorte de devires provocados pelas errâncias. “A coleção de movimentos criada em circunstâncias únicas proporcionadas pelos fantásticos e peculiares dias na ilha, foi tratada como um imenso lego de oportunidades durante a montagem, sendo no espaço de uma outra ilha, agora a de edição que os eventos eram recriados e avivados.” – conta Valéria Martins. Propositalmente, algumas imagens e sonoridades se repetem em alguns filmes, potencializando a ideia de série, de diálogo continuado, de imagem estendida.

Daniel Castanheira foi colaborador artístico, participou do elenco e assina também a música na forma de paisagem e escritas sonoras, criando partituras com ruídos ambientes e estáticas.
Faz parte da série Coleções em Movimento: REPARAR com Wagner Cria, Carol Cony e Daniel Castanheira; ESQUECER com Luciana Barros; CORRENTEZA com Gatto Larsen; ENVOLVER com Ray Farias e Carol Cony, entre outros. Criar resenhas para cada um deles significaria redundar as ideias chaves de afeto, corpos diversos, acaso, improviso, partituras de movimento com obras, paisagens e natureza.

Os doze trabalhos inauguraram uma fruição exclusiva no campo do audiovisual pelo canal YT Núcleo Valéria Martins, nas redes sociais @valeriamartins.val, deixando de ser um registro de um happening presencial como foram todos os anteriores assinados por Valéria, para agora explorar as trocas através do campo virtual.

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