A Galeria de Arte Solar, na comunidade do Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, no Rio de Janeiro, abriu no dia 14 de agosto a exposição Maré de origem, de Brenda Guimarães. Com curadoria de Adriana Nakamuta, a individual reúne cerca de dez obras, entre objetos, esculturas e pinturas matéricas, incluindo cinco trabalhos inéditos. A mostra apresenta a pesquisa da artista cearense que transforma resíduos de plástico e papelão em objetos de arte e design a partir de uma técnica autoral derivada do papel machê. Em cartaz até 9 de outubro, com entrada gratuita, a exposição conecta-se com o programa Do Morro ao Mar: Justiça Ambiental em Ação, projeto pedagógico e ambiental, que rendeu ao Solar Meninos de Luz o selo Escola Azul.
Na Galeria de Arte Solar, Brenda Guimarães apresenta um conjunto de obras que parte de uma investigação sobre memória, materialidade e futuro, com base em material de descarte urbano, atado, rearranjado, sobreposto e recoberto por massa de celulose, feita de papelão e pigmentos minerais. Entre camadas que remetem a formações geológicas, organismos imaginados e paisagens afetivas, a artista constrói um território onde lembranças e natureza se encontram, numa reflexão sobre as relações entre o humano e a terra. Daí o título da exposição, “Maré de origem”, e das séries apresentadas, Escavação e Abissal.
Entre as obras se destaca Aquilo que resiste, pintura realizada com massa de celulose, pigmentos minerais e tampa de garrafa pet sobre madeira, de 130 x 110 x 10 cm. Entre as esculturas, está Corpo sedimentado, feita a partir de embalagem de marmita de isopor e rolo de fita, revestidos com polpa de celulose com pigmento orgânico e tinta acrílica, de 20 x 17 x 9 cm. E, ainda, Coral, de 80 x 20 x 27 cm, de massa de celulose, galão plástico, garrafa pet, embalagem plástica de alfinete, marmita de isopor, cápsula de café, tampa de garrafa pet, rolo de fita kraft, rolo de papel toalha e arame.
Incluindo amostras dos insumos utilizados, das etapas do processo e outras referências, a expografia mostra o percurso de criação das obras. “Brenda olha o processo artístico como algo transformador de mentalidade, sendo propulsor de uma nova concepção de mundo. Queremos que o público seja sensibilizado por esse pensamento. A exposição é também um convite a refletirmos sobre as relações que estabelecemos com aquilo que consumimos e descartamos”, diz Adriana.
Sem fins lucrativos, a Galeria de Arte Solar é a única no Rio de Janeiro com programação curatorial contínua instalada dentro de uma comunidade. Há 18 anos, incorpora a arte contemporânea ao cotidiano do Solar Meninos de Luz, promovendo ações educativas e formação de público. O espaço conta com patrocínio do Belmond Copacabana Palace, do Instituto Yduqs e da Lorinvest, por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura (ISS-RJ). Ao aproximar uma pesquisa artística singular das ações de educação ambiental desenvolvidas pelo Solar Meninos de Luz, “Maré de origem” reforça a vocação da Galeria de Arte Solar como um espaço em que arte, educação e comunidade se encontram.
























































































































