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A exposição

Volpi: nos cruzamentos da arte moderna brasileira

Com curadoria do historiador de arte e crítico anglo-brasileiro Michael Asbury, a galeria Cecilia Brunson Projects abre em junho a primeira individual de Alfredo Volpi (1896 – 1988) em solo britânico. As 32 pinturas da mostra apresentam um panorama da longa carreira de Volpi, com obras cobrindo as décadas de 1940 a 1980, incluindo a popular série “Bandeirinhas”, sua marca registrada e na qual fica evidente o distinto uso da tèmpera pelo artista.

Realizada em associação com a casa paulistana Almeida e Dale, a exposição é a segunda da galeria londrina em uma série que visa introduzir o público da Inglaterra a grandes figuras da arte moderna e contemporânea brasileira. A primeira, em janeiro deste ano, levou à capital britânica a obra do paulistano Claudio Tozzi.

Alfredo Volpi
Alfredo Volpi é considerado uma das figuras mais influentes no cenário artístico brasileiro do século 20. Pintor cujo trabalho articulou temas populares com um sofisticado uso de cores e geometria, Volpi está situado entre o Modernismo dos anos 1920-1930 e a arte experimental e de experiência que surgiria no fim dos anos 50 e 60. Poucos artistas no Brasil receberam tamanho reconhecimento e consideração, com livros e retrospectivas focadas em seu trabalho, além de contar com uma legião de fãs – era admirado pelo movimento concretista e foi elogiado pelos críticos proeminentes da época, incluindo Herbert Read e Mário Pedrosa.

Artista autodidata de origem humilde, Volpi nasceu em Lucca, na Itália, em 1896, mas emigrou com seus pais em 1898 para o lugar que viria a se tornar sua casa ao longo da vida: São Paulo. Abandonando a escola aos 12 anos, sua trabalho precoce, tanto como tipógrafo quanto como decorador de interiores, deu indicação de sua habilidade natural como artista, bem como forneceu-lhe os meios para comprar seu primeiro conjunto de aquarelas. Seria totalmente inexato pensar Volpi como um artista ingênuo; ele estava consciente das linguagens visuais do impressionismo, do pontilhismo e do modernismo, resgatando a partir de cada uma o que era necessário para articular as observações cuidadosas presentes no cerne de suas obras altamente originais. Seus primeiros trabalhos como pintor – paisagens e cenas cotidianas pintadas em cartão – são de 1914.

Em 1933, Volpi formou uma relação de trabalho produtiva com uma turma de colegas imigrantes com quem ele seria associado durante muito tempo: o célebre Grupo Santa Helena, que incluiu pintores como Mario Zanini, Manuel Martins, Humberto Rosa e Fulvio Pennacchi. Volpi transcendeu todos eles e, no final dos anos 1930, começou a trabalhar mais a partir da memória do que da observação pura, o que tornou-se um processo virtuoso de redução para encontrar a essência de sua obra.

Suas pinturas são exuberantes no uso da cor e na forma simplificada. O artista comentou: “Eu sempre pintei o que senti, minha pintura foi gradualmente se transformando, começou com a natureza, depois aos poucos vai saindo fora, às vezes continua, eu nunca penso sobre o que eu estou fazendo, só sobre o problema da linha, da forma, da cor. Nada mais.”

Embora Volpi tenha exposto amplamente desde a sua primeira individual, em 1944 – participando de uma mostra de arte brasileira que percorreu o Reino Unido em locais como a Royal Academy (1944), participando da Bienal de Veneza, exibindo frequentemente na Bienal de São Paulo, além de inúmeras exposições em museus de todo o mundo – esta será sua primeira individual no Reino Unido.

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