Uma viagem a culturas e memórias no Museu Afrobrasil Uma viagem a culturas e memórias no Museu Afrobrasil

© Fundação Pierre Verger

© Fundação Pierre Verger

Registros fotográficos que exibem as paisagens da Europa, África, Ásia e América, pelas lentes de Pierre Verger, um desconhecido amigo de Paul Gaugin. Experimentos fotográficos exposto em grandes dimensões, como memórias daqueles que representaram – e ainda representam – o Brasil, pelas técnicas de Eustáquio Neves. O território mental nas telas de Duda Penteado. E o Brasil representado tão tradicionalmente pelas obras da coleção de Ladi Biezus. Exposições que transitam por céu, terra e mar e exploram culturas e fatos históricos. Uma escritora, poetisa, sambista e desconhecida. Carolina Maria de Jesus é homenageada na exposição “Carolina em nós”

A exposição “As aventuras de Pierre Verger”, pela curadoria e coordenação de Alex Baradel nos traz o caminho que percorre o fotógrafo, que percorre diversos países em busca do diferente. Da cultura social e do cotidiano. A mostra reúne cerca de 270 imagens de Verger que narram sua caminhada pelo mundo, e marca a finalização do projeto ‘Memórias de Pierre Verger’, patrocinado pela Petrobrás e Oderbrecht.

A mostra fotográfica logo perde a ideia de uma exibição de registros e documentos para se tornar então uma mostra artística e um diário através do olhar de Verger. Ilustrações criadas pelo artista baiano Bruno Marcello (Bua) compõem a exposição retratando ou ficcionalizando o fotógrafo em alguns episódios pelos quais passou em suas viagens. E completam ainda, quadrinhos da série “As aventuras de Tim tim”, fazendo uma relação dos contos bem elaborados pelo autor belga George Prosper Reni com os contos de Pierre Verger.

O artista, que viajara por Polinésia, Saara, China, Peru, África, além da própria França – onde nasceu -, registrou diversos episódios como a guerra, a pobreza, homens e mulheres caracterizando hábitos e culturas, congeladas em fotografias em preto e branco.

A exposição foi criada em parceria com a Fundação Pierre Verger, criada pelo próprio fotógrafo, morto em 1996, em Salvador. Fica em exibição até 30 de Dezembro.

Mais três mostras abertas em comemoração aos 11 anos da Instituição.

Na exposição “Cartas ao Mar”, o artista Eustáquio Neves apresenta mais de uma dezena de imagens em grandes dimensões por meio de experimentações que envolvem o procedimentos fotográficos e tinta em papel algodão. Uma investigação que resgata memórias de representantes das heranças e histórias formadoras do Brasil.

Tendo como ponto de partida a zona portuária tradicionalmente conhecida como Valongo, na cidade do Rio de Janeiro, o artista capta documentos e arquivos, além de depoimentos, dos moradores e comerciantes da área, que já fora utilizada como porto de entrada para mais da metade dos negros sequestrados do continente africano.

“A fotografia encontra em Eustáquio Neves um homem devoto dos dramas que envolveram e envolvem um passado atormentado e atormentador da nossa história. História de um povo que foi conduzido ao degredo humano e de tamanha força que não se apaga, não sai da nossa alma”, declara Emanoel Araujo, diretor curador e fundador do Museu Afro Brasil, inundado de emoção.

Em “Raízes e fragmentos. Uma viagem ao território mental”, Duda Penteado – artista que vive entre Brasil e Estados Unidos há quase vinte anos – nos traz seu trabalho que explora a “memória perdida”. Fazendo jus ao nome de sua exposição, o artista vai de encontro com lembranças esquecidas na mente, mas que tem seus flashs em referências, símbolos e signos que reconstroem sua identidade como cidadão brasileiro, e também um ser do mundo. Seu trabalhos tem assim técnicas mistas como também essa mistura da forma e do abstrato relacionando-se também nessa mistura mental e de identidade enquanto brasileiro e americano.

Lady Biezus nos revela sua coleção composta por obras que mostram a força da arte tradicional popular, em “A nossa invenção da Arte”.

Biezus define esta coleção como “Feita sempre de encantamentos avassaladores, sempre por obras tidas como companheiras para a vida, e, portanto, guardadas no templo destinado ao culto pessoal. A exceção à permanência em culto foram alguns presentes feitos a familiares e amigos em momentos muito especiais. Agora chegamos à época dos balanços, à época da prestação de contas a mim mesmo. É maravilhoso deter o olhar sobre uma por uma das obras, relembrar os artistas amigos e cheios de ilusões, desfrutar a inesgotável fascinação que elas ainda exercem e incorrer na tentação de lançar um olhar panorâmico” e ainda complementa “Esta coleção não pretende ser um panorama exaustivo de tudo quanto de bom a arte do povo brasileiro produziu nos últimos 50 anos. São obras que naturalmente aconteceu reunirem-se ao longo do caminho”.
Fazem parte desta mostra: José Antonio da Silva, Isabel de Jesus, Mirian Inês da Silva, Emygdio de Souza, Valdomiro de Deus Souza, Mestre Guarany, Mestre Dezinho, Mestre Vitalino, Mestre Nosa, Raimundo de Oliveira, Elza O S, Conceição dos Bugres, Véio (Cicero Alves dos Santos), Ivonaldo Veloso de Mello, Maria Auxiliadora e o inestimável Agnaldo Manoel dos Santos.

Essas três exposições ficam no Museu até o dia 03 de Janeiro de 2016.

Por fim, Carolina Maria de Jesus, recebe o reconhecimento e devida importância, em “Carolina em Nós”, exposição patrocinada pela CAIXA e pelo Governo Federal e idealizada pelo Grupo Ilú Obá de Min.

“Nossa intenção é reconhecer e dar a devida importância à figura de Carolina como escritora, não apenas por ela ser negra e catadora de material reciclável, mas por sua preciosa contribuição para a literatura brasileira”, destaca a produtora Tâmara David que coordena a exposição lado de Ester Dias. O projeto foi selecionado por meio do Programa CAIXA de Apoio ao Patrimônio Cultural Brasileiro 2015/2016.

A mostra contextualiza a vida e obra da escritora em painéis, fotos e cenários montados na lateral do prédio. Não é preciso entrar no museu para conferir a exposição, que faz uso da sua área externa – o interior do Parque – uma ala para mostra, e por isso o acesso é totalmente gratuito.

Pode ser conferido até 31 de Janeiro de 2016.

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