Projeto Permanências e Destruições ocupa diferentes áreas da cidade do Rio de Janeiro.

São apresentadas obras de vários artistas brasileiros contemporâneos.

A destruição como condição de reconfiguração espacial. Foi a partir dessa ideia que o curador João Paulo Quintella criou o projeto Permanências e Destruições. O prédio do antigo Hotel Balneário Sete de Setembro/Colégio Brasileiro de Altos Estudos, na praia do Flamengo; uma piscina desativada, em Santa Teresa; e a área da antiga Perimetral, no Centro do Rio, são alguns dos locais escolhidos para receber as instalações de 10 artistas brasileiros e um coletivo. Lugares em processo de desaparecimento, áreas sem uso, vazios urbanos.

“No passado recente da cidade do Rio de Janeiro, muitos espaços passaram por um processo de destruição – um processo de negligência e erosão, mas também um processo de reapropriação e engajamento. Neste projeto, tais espaços tornam-se uma topologia útil para o campo da arte. Queremos propor a ocupação artística desses territórios entre o uso e o abandono, entre a apropriação e o esquecimento”, afirma João Paulo.

Com patrocínio da Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro através da Lei de Incentivo à Cultura, além de patrocínio da Oi e apoio cultural do Oi Futuro, a primeira ocupação do projeto acontece nos dias 09, 10 e 11 de janeiro, na Praça XV, no centro do Rio. Nos três dias, visitantes poderão acessar o projeto “Cota 10”, um mirante construído pela dupla de artistas Julio Parente ePedro Varella para ter uma perspectiva única da cidade, com vista para o centro histórico do Rio e a Baía de Guanabara, antes só possível ao passar de carro ou ônibus pela Perimetral. Simultaneamente, também na Praça XV, o duo de artistas Priscilla Fiszman e Kammal Joãorealizará uma ação com tijolos, aberta a participação do público e que tem como objetivo tencionar a relação entre construir e destruir.

Entre os dias 17 e 30 de janeiro, os artistas Amalia Giacomini, Floriano Romano e o coletivoMiúda ocupam o antigo Hotel Balneário Sete de Setembro (atual Colégio Brasileiro de Altos Estudos) inaugurado no início dos anos 20, no Flamengo. Já entre os dias 19 e 23 de janeiro, Raquel Versieux faz intervenções na Rua do Verde, espaço tomado por floriculturas localizado entre as Ruas da Carioca e a Sete de Setembro, no centro da cidade. No final de semana dos dias 24 e 25, Daniel de Paula e Luísa Nóbrega criam instalações na Estamparia Metalúrgica Victoria, fundada em Benfica no início da década de 30 e desativada desde os anos 70. Por último, nos dias 31 de janeiro e 01º de fevereiro, o artista Pontogor cria uma intervenção na antiga piscina do Edifício Raposo Lopes, também conhecido como Raposão. Com 25 metros, a piscina construída nos anos 50, tem uma das vistas mais bonitas da cidade.

“O recorte curatorial propõe uma produção não apenas sitespecific, mas uma reação às condições de permanência e de destruição. No panorama atual, com sintomas de calamidade econômica e insatisfação política, a destruição, com o sentido de perturbação crítica, parece ter se tornado uma premissa para a mudança, um ingrediente para criar espaço para a renovação de um campo”, conclui João Paulo Quintella.

Sobre os artistas

Julio Parente é designer, artista multimídia e produtor da casa Comuna, no Rio de Janeiro.

Pedro Varella é Arquiteto Urbanista. Dentre os principais projetos que já trabalhou estão o Edifício Acervo, da Fundação Casa Rui Barbosa, no Rio de Janeiro, e a sede do Golfe Olímpico, também no Rio.

Priscilla Fiszman é Arquiteta pela UFRJ e Bacharel em Artes pela Camberwell College of Arts London. Atuou na performance 512 hours idealizada pela artista Marina Abramovic, na Serpentine Gallery, e já expôs seu trabalho na Bienal de São Paulo, Dilston grove/Café Gallery (UK) e Hoxton Basement (UK).

Kammal João é artista plástico e autor do livro “O tempo sem tempo, cartas de uma viagem” (A Bolha Editora). Participou da residência Mutuca (MG) e já expôs seu trabalho no 32º Salão de Arte do Pará e também na Casa Ipanema (RJ). Algumas de suas obras também fazem parte do acervo do museu Vista Alegre, em Portugal.

Amalia Giacomini é Arquiteta e Urbanista. Já expôs seu trabalho em instituições como o Itaú Cultural (SP), Museu da Casa Brasileira (SP), Instituto Tomie Othake (SP), Paço Imperial (RJ), MAC (RJ), Galeria Nacional de Praga e Galeria da Cité des Arts (Paris).

Floriano Romano se intitula “artista visual e sonoro” e trabalha com intervenções urbanas e sonoras. Já recebeu diversos prêmios como o ‘Projéteis de Arte Contemporânea’, ‘Marcantonio Vilaça’ e ‘Interações Estéticas’. Dentre as instituições onde já expôs estão o Itaú Cultural (SP), MAM (RJ) E a galeria Anita Schwartz (RJ). Participou também da 7º Bienal do Merconsul e da ArtRio 2011.

Daniel de Paula é artista plástico e já expôs seu trabalho em espaços culturais, museus e galerias como o Itaú Cultural (SP), Instituto Tomie Ohtake (SP), White Cube (UK) e Maisterravalbuena Gallery (Madri). Recentemente participou da exposição “Made by… Feito por Brasileiros”, no Hospital Matarazzo (SP).

Raquel Versieux é mestre em Linguagens Visuais pela Escola de Belas Artes da UFMG. Já participou de exposições coletivas como as edições de 2012 e 2013 do Arte Pará e Rumos Itaú Cultural 2011-2013, além da residência artística Kamov/Queer Zagreb, na Croácia. Sua primeira exposição individual aconteceu na galeria Athena Contemporânea (RJ), em 2013.

Miúda é um coletivo formado por 14 artistas que atuam em diferentes áreas como teatro, dança e cinema. O grupo já realizou apresentações no Teatro Gláucio Gil (RJ), no XII Festival de Teatro Arte em Cena (RJ) e no Festival Estudantil de Teatro de Belo Horizonte (FETO-BH).

Luísa Nóbrega desenvolve trabalhos artísticos como performances, poesias e vídeos. Bacharel em Filosofia pela USP, já expôs em diversas cidades brasileiras como Fortaleza (Espaço Cultural BNB), Vitória (encontro Trampolim, em 2010) e São Paulo (Paço das Artes), além de países como Ucrânia (Tuborealism, breaking ground), Rússia (City as Process, projeto paralelo da Bienal Industrial Ural), França (performance Dimanche Rouge) e Espanha (Festival Periferias).

Pontogor desenvolve trabalhos com equipamentos obsoletos como TVs velhas, vitrolas, mesas de som e câmeras usadas. Já participou de residências artísticas em São Paulo (Phosphorus), Cuba (Batiscafo) e Antuérpia (Air Antwerpen), além de exposições no MAM (RJ) e durante a 29ª Bienal
de São Paulo.

Serviço

permanenciasedestruicoes.com.br

09 a 11/01 – Praça XV (Centro)
– Cota 10 (Julio Parente e Pedro Varella) – sexta-feira a domingo, de 7h às 20h

– Ação com tijolos (Priscilla Fiszman e Kammal João) – sexta-feira e sábado, de 7h às 15h

17 a 30/01 – Hotel Balneário Sete de Setembro/Colégio Brasileiro de Altos Estudos (Av. Rui Barbosa, 762, Flamengo)
– Amalia Giacomini, Floriano Romano e Miúda – de terça a domingo, de 11hs às 19hs

20 a 24/01 – Rua do Verde (Rua localizada entre as ruas da Carioca e a Sete de Setembro, Centro)
– Raquel Versieux – de terça a sexta, de 10h às 18h e sábado, de 09h às 12h

24 e 25/01 – Estamparia Metalúrgica Victoria (Rua Capitão Felix, 266, Benfica)
– Daniel de Paula e Luísa Nóbrega – sábado e domingo, de 11h às 19h

31/01 a 01/02 – Piscina do Edifício Raposo Lopes (R. Almirante Alexandrino, 3226, Santa Teresa)
– Pontogor – sábado e domingo, de 14h às 21h

 

Compartilhar: