Petição é aberta em prol do EAV/Parque Lage e Casa França Brasil

© Divulgação

© Divulgação

A campanha aberta nesta segunda-feira já somam cerca de 1000 assinaturas. Com o título “Manter projeto artístico e pedagógico da EAV/Parque Lage e Casa França Brasil”, a petição criada por curadores, criticos de arte e professores da Escola de Artes do Parque Lage no Rio reinvindicam a decisão da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro de rescindir o contrato com a atual administração das Instituições.

Veja abaixo a carta aberta dos organizadores e convite ao público para assinar a petição.

Sociedade civil: Manter projeto artístico e pedagógico da EAV/Parque Lage e Casa França Brasil

Manifestamos nosso mais absoluto repúdio à decisão da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro de rescindir o contrato em curso com a atual administração da Escola de Artes Visuais do Parque Lage e da Casa França-Brasil, pondo, abruptamente, um fim ao programa artístico e pedagógico que vem sendo desenvolvido há dois anos por Márcio Botner, Lisette Lagnado e Pablo Léon de la Barra à frente dessas instituições. Torna-se, portanto, imperiosa a articulação de um posicionamento público contrário ao esfacelamento de uma das mais relevantes, corajosas e promissoras iniciativas na esfera artística nacional.

Diante do avassalador empobrecimento do Governo de Estado do Rio de Janeiro e da crise generalizada que atravessa o país e suas instituições culturais, a decisão da Secretaria de Estado de Cultura sinaliza uma ideia equivocada de gestão pública com a qual não podemos compactuar. Gestos de apagamento unilaterais revelam posturas autoritárias, um constante voltar à estaca zero, anulando assim não apenas as possibilidades de construção de novos cenários para a cultura do país como também abrindo um grave precedente para que não mais se possa confiar na possibilidade de ações conduzidas pela sociedade civil. Muita coisa ainda pode e deve ser feita para a atual gestão encontrar seu ponto de equilíbrio, mas para que possamos cobrar desta OS (Organização Social) aprimoramentos, é preciso antes exigir do Governo que permita a ela dar consequência ao trabalho iniciado. Só é possível fazer críticas a uma gestão julgando-a pelo que fez, e não pelo que deixou de fazer, especialmente se em função da ausência dos meios previamente contratados.

A importância histórica da EAV Parque Lage e da Casa Franca-Brasil na vida cultural brasileira exige – particularmente em tempos de recrudescimento de posicionamentos políticos conservadores – dirigentes capazes de fazer face não apenas às dificuldades econômicas como também aos desafios de ordem política e intelectual que ameaçam a formação de um público crítico comprometido com a transformação cultural de nossa sociedade.

Defendemos a manutenção de um programa educativo e cultural que entende as práticas artísticas como derivadas de um mundo contemporâneo complexo, em permanente transformação, o qual exige ações e articulações culturais que estabeleçam visões transdisciplinares, buscando assim constituir uma escola de arte livre, democrática e transgressora – algo, senão inédito, raro em um País marcado por instituições de ensino artístico caracterizadas pelo academicismo, pela burocracia e pelo distanciamento de realidades externas ao mundo da arte stricto sensu.

Para levar a cabo tais programas, confiamos nas experiências profissionais e no trabalho realizado à frente da EAV Parque Lage e da Casa França-Brasil por Márcio Botner, Lisette Lagnado e Pablo Léon de la Barra. Suas atuações no campo da arte desconhecem fronteiras, privilegiam o livre-trânsito e o livre-pensamento, e demonstram sobrada capacidade de interlocução local, nacional e internacional, qualidades estas que, acreditamos, sejam fundamentais em momentos de crise, tal qual este que ora assombra as contas do Estado do Rio de Janeiro.Esta chamada pública foi organizada por um grupo de cidadãos, artistas e trabalhadores da cultura que acreditam ser papel do Estado a manutenção de experiências institucionais que entendam as relações entre cultura e sociedade como resultado da diversidade e da heterogeneidade, e que saibam preservar a abertura ao diálogo. Esperamos, portanto, que as recentes decisões da Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro possam ser revistas em favor da continuidade do atual projeto artístico e pedagógico da EAV Parque Lage e da Casa França-Brasil.

Beatriz Lemos – curadora*
Bernardo de Souza – crítico de arte, curador*
Bernardo Mosqueira – escritor e curador*
Daniela Labra – crítica de arte, curadora*
Daniel Jablonski – artista e professor da EAV Parque Lage
Luisa Duarte – crítica de arte, curadora*
Marta Mestre – curadora*
Pablo Lafuente – curador, crítico de arte, professor visitante na UFSB
(professores e participantes do programa do curador visitante da EAV Parque Lage)

Jochen Volz, curador da 32a Bienal de São Paulo
Arto Lindsay, músico e artista
Rivane Neuenschwander, artista
Julia Pombo, artista e ex-aluna da EAV Parque Lage
Clarissa Diniz, curadora e gerente de conteúdo do Museu de Arte do Rio
Ronaldo Lemos, advogado, diretor do Creative Commons Brasil
Júlia Rebouças, curadora adjunta da 32a Bienal de São Paulo
Sofia Olascoaga, curadora adjunta da 32a Bienal de São Paulo
Ricardo Basbaum, artista, professor, crítico
Adriana Varejão, artista
Paula Alzugaray, editora da revista Select
Laura Lima, artista
Dominique Gonzalez-Foerster, artista
Bernardo Ortiz, artista
Cabelo, artista
Fernando Cocchiarale, curador do Museu de Arte Moderna do Rio, professor da EAV
Cristiana Tejo, curadora e pesquisadora
Leo Ayres, artista e ex-aluno da EAV Parque Lage
Ana Paula Emerich, artista e ex-aluna da EAV Parque Lage
Luiza Baldan, artista e professora na EAV Parque Lage
Romain Dumesnil, artista e ex-aluno da EAV Parque Lage
Beto Shwafaty, artista
Renata Lucas, artista
João Paulo Racy, artista e ex-aluno da EAV Parque Lage
Vivian Caccuri, artista
Inti Guerrero, curador
OPAVIVARÁ, coletivo de artistas
Marcone Moreira, artista
Ivo Mesquita, curador
Manuela Carneiro da Cunha, antropóloga
Anitta Boavida, artista e aluna da EAV Parque Lage
Daniel Steegmann Mangrané, artista
Laercio Redondo, artista
Ulisses Carrilho, curador e ex-aluno da EAV Parque Lage
Maya Inbar, artista e educadora da EAV Parque Lage
Ícaro Lira, artista e ex-aluno da EAV Parque Lage
Guilherme Gutman, psicanalista e professor da PUC-Rio e da EAV Parque Lage
Luiz Roque, artista
Rodolpho Parigi, artista
Manoela Medeiros, artista e aex-luna da EAV Parque Lage
Consuelo Bassanesi, gestora cultural do Largo das Artes
Michelle Sommer, curadora e pesquisadora
Ana Maria Maia, curadora
Laymert Garcia dos Santos, coordenador do Laboratório de Cultura e Tecnologia em Rede do Instituto Século 21
Moacir dos Anjos, curador, Fundação Joaquim Nabuco
Sérgio Cohn, editor
Regina Vater, artista
Isabel Diegues, editora
Guilherme Wisnik, arquiteto, curador, professor da FAU-USP

Para participar Clique aqui

Compartilhar: