OiR aposta na interatividade com o público em sua 2ª edição

© Divulgação

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Três anos depois de transformar o Rio de Janeiro em um imenso museu a céu aberto, ao ocupar diferentes pontos da cidade com obras de arte que modificaram temporariamente a paisagem urbana carioca, a mostra OiR – Outras Ideias para o Rio ganha a sua segunda edição, em proposta ainda mais ousada que a anterior. Sob patrocínio da BB Seguridade e do Instituto Hermes Pardini, o projeto acontecerá em duas etapas e pretende aprofundar a relação com o público através de trabalhos essencialmente interativos, criados por artistas brasileiros e estrangeiros de renome. A primeira etapa, batizada de OiR-Intra (Intervenção, Arquitetura e Espaço), se inicia em 12 de setembro de 2015, com a participação de dois expoentes internacionais, o chinês Song Dong e o francês Daniel Buren; a fase seguinte está programada para fevereiro de 2016, reunindo mais três artistas cujos nomes serão anunciados ao longo dos próximos meses.

“A proposta deste OiR é ter obras ao ar livre, em grande escala, que precisam da participação ativa dos visitantes para ganhar sentido”, resume o curador Marcello Dantas.

Daniel Buren, de 77 anos, segue sendo um dos nomes mais importantes da arte conceitual no mundo. Já esteve em três edições da Documenta, em Kassel, na Alemanha, 11 vezes na Bienal de Veneza e outras duas na de São Paulo. Recentemente, realizou uma individual na filial carioca da Galeria Nara Roesler. Para o OiR-Intra, ele instala no Parque Dois Irmãos, no bairro carioca do Leblon, uma obra que criou em homenagem a Oscar Niemeyer (1907-2012), de quem era profundo admirador.

Famoso por suas listras e estruturas transparentes coloridas, Buren busca integrar a superfície visual de suas obras a espaços arquitetônicos quase sempre históricos – exemplo da icônica porém controversa colunata de listras em preto e branco instalada desde 1986 no pátio interno do Palais-Royal, em Paris. Há três anos, o artista mergulhou o tradicional Grand Palais, também na capital francesa, numa surpreendente avalanche de cores ao espalhar suas obras por todo o ambiente (desta vez, sem qualquer polêmica).

A instalação de Buren a ser vista pelos cariocas (com 11,70m x 11,70m x 3,10m) se insere na sua série de obras cromoluminosas conhecidas como Cabanes éclatées (“Cabanas explodidas”), desenvolvidas a partir da década de 70. São paredes, portas e janelas que podem ser reconfiguradas de diversas maneiras em diferentes espaços. As superfícies coloridas e espelhadas provocam uma “explosão” visual e metafórica da obra, através da refração da luz, impregnando e modificando o local onde ela se insere, ao mesmo tempo em que desconstrói seu caráter de objeto único e independente. Ao confundir a obra e seu entorno, o artista altera a perspectiva da arte e do ambiente.

Já a rotunda do CCBB da Rua Primeiro de Março, um dos átrios culturais mais visitados do Rio de Janeiro, no Centro da cidade, abrigará a obra My City, uma instalação em grande escala composta por móveis, portas e janelas de demolição, que carregam simbolicamente a biografia do artista cujo passado é marcado por privações econômicas e tensões psicológicas vividas ao lado da família durante a Revolução Cultural de Mao Tse Tung, entre 1966 e 1976. O trabalho de Song Dong presente no OiR-Intra sublinha o discurso contemporâneo no que concerne à renovação urbana e à sustentabilidade pois ressignifica, através de uma nova estética, materiais comumente desprezados. Por fora, a construção remete a uma favela; em seu interior, assemelha-se a um palácio.

Figura importante na evolução da arte conceitual chinesa, Song Dong, de 49 anos, explora noções de impermanência e da transitoriedade da atividade humana através de uma obra que abarca performances, vídeo, fotografia e escultura. Suas maquetes comestíveis de São Paulo e Brasília, feitas apenas com biscoitos, encantaram quem foi ao CCBB das duas cidades, no ano passado, conferir a mostra coletiva Ciclo, da qual o artista foi uma das principais atrações.

“Em meio às profundas transformações urbanas que acontecem agora no Rio de Janeiro, mais do que nunca, olhar através da arte para os espaços públicos e para a forma de se ocupar a cidade é um assunto de primeira importância”, destaca Marcello. “Ativar um olhar criativo em meio à reconstrução de uma cidade é uma forma de permitir um vislumbre do futuro desses espaços urbanos, que caminham para se constituir como mais agradáveis, generosos e democráticos do que o eram até agora.”

Em sua primeira edição, o OiR ocupou o Rio com as obras Olhar nos meus sonhos (Awilda), uma enorme cabeça flutuante de 12 metros de altura do artista espanhol Jaume Plensa, na enseada de Botafogo; o Domo de Terra, do inglês Andy Goldsworthy no Cais do Porto; a instalação audiovisual The Radar, do japonês Ryoji Ikeda, na Praia do Diabo; o Labirinto de Vidro do norte-americano Robert Morris, em formato triangular, que alterou a rotina de quem passava pela Cinelândia; a escultura penetrável Cascasa, de Henrique Oliveira no Parque Madureira; e as 77 milhões de pinturas digitais com que Brian Eno coloriu os Arcos da Lapa, num ousado sistema de projeção mapeado exclusivamente para o local.

A programação da segunda fase de OiR contará com playgrounds de artistas em vários pontos da cidade e será anunciada em breve

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