O espaço do negro nas artes visuais por Redação

© Pandora I - Natália Cruz - A&A / Foto: divulgação - Arte & Artefato

© Pandora I - Natália Cruz - A&A / Foto: divulgação - Arte & Artefato

A arte ainda é um tema complexo. Durante muito tempo, sua produção e distribuição estiveram restritas a alta sociedade, o que impediu o destaque de outras formas de expressão, como é o caso da arte negra e dos artistas negros. Hoje, na luta por espaço e reconhecimento na sociedade, a produção de artistas negros ganha cada vez mais visibilidade. Com o Dia da Consciência Negra, refletir sobre esse tema se faz ainda mais necessário.

A artista Natália Cruz, da galeria online Arte & Artefato, busca refletir as questões de gênero nas suas obras. A série Pandora elabora uma reflexão sobre o universo feminino permeado por tradição, patriarcado, e machismo. A escultura Pandora I, exposta na galeria online, traz um buquê de flores enrolado em arame farpado. O objetivo é desconstruir a ideia da delicadeza da mulher, contrapondo a fragilidade das flores de cerâmica com a agressividade do arame de ferro.

Atualmente, Natália trabalha em uma série que pretende desconstruir padrões sobre a mulher negra e fazer o público refletir sobre a segregação racial na sociedade. “É preciso que tenhamos mais espaço para fazer uma arte que fale sobre cultura e identidade. A arte não reflete a realidade negra, o que impede que muitas pessoas se identifiquem com essa forma de expressão”, opina.

Outro artista da Arte & Artefato que também busca refletir as questões raciais em seu trabalho é Marcel Diogo. O artista vem trabalhando em uma série de fotografias de linchamentos que aconteceram no final do século XIX e início do século XX nos Estados Unidos. “Quando a gente pensa em um ‘bandido’ ele tem uma cor e uma cara. A maior parte dos sujeitos linchados são negros, cercados por brancos.” O trabalho de Marcel consiste em apagar o sujeito que foi julgado e executado pela população. Quando esse indivíduo é retirado, a foto passa a explicitar os outros elementos que pertencem à imagem. A pergunta que fica é quem são as pessoas que estão ali e porque se julgam ‘cidadãos de bem’.

Para ele, a arte negra é uma contracultura, pois surge essencialmente como algo contrário à cultura padrão. “Quando você tem um padrão de arte que exclui outras, como a negra, a oriental, a indígena, há uma questão política, de dominação”, afirma. A produção do artista, de forma mais ou menos sutil, sempre toca na questão política.

Os negros reivindicam visibilidade e igualdade há tempos. E ainda há muito para caminhar. A arte negra, que ao ser descrita como tal ainda se separa da arte padrão. “Ainda existe certa relutância em falar sobre isso. Estamos vendo muito coisa interessante acontecer, mas o caminho é longo”, afirma Natália.

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* Texto enviado pela galeria Arte & Artefato

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