O bom e o mal da Bienal

Nossa maior mostra abre as portas com novidades bem sucedidas e outras nem tanto.

Eram grandes as expectativas para a Bienal este ano. E também grande o mistério. Com poucos nomes conhecidos ou projetos estratosféricos para chamar a atenção da mídia, pouco vinha se falando da mostra, criando um clima de ansiedade nos circuito da arte. Da parte de alguns, ansiedade pela espera de um mundo de novidades frescas e uma mostra imune às pressões do mercado. Por outro lado, incerteza sobre o que esperar de uma exposição com tradição de deslumbrar seus visitantes.

Finalmente, foram abertas as portas e a ansiedade se justificou pelos dois lados.

O impacto ficou por conta não da combinação entre dimensão, ousadia ou originalidade, como de costume, mas por caminhos mais discretos. É o caso do vídeo de Yael Bartana, “Inferno”, uma produção com qualidade hollywoodiana que conta a história da destruição de um templo judeu que dá origem aos muro das lamentações. A cena em que uma pessoa é incendiada é especialmente impactante. A questão da homossexualidade, que liga muitas das obras da mostra, aparece no papel de um sacerdote, vivido por um homossexual que estava presente na inauguração. 

O Museu do Travesti foi outra obra que marcou os visitantes. Concebido pelo peruano Guiseppe Campuzano, é apresentado por uma reuniuao de trabalhos tocando a questao da homossexualidade, uma espiral em que o visitante adentra se aprofundando na vida dos travestis e homossexuais. São trabalhos de pequenos formatos, a maioria mínimos, como a polêmica foto em que uma figura de Santa Maria é representada por um homem. Destacavam-se a instalação “Histórias Reais”,  placas de acrílico com relatos de situações vividas por travestis, e a série de banners no estilo “trago seu amor em 3 dias”, que contam em uma frase dramas causados pelo preconceito experimentados por homossexuais em diferentes situações. 

Em uma mostra em que o homossexualismo parece ser o fio ligando os trabalhos, os maravilhosos objetos de Edward Krasinski, por exemplo, pareciam não justificar sua presença. Ainda assim, foram elogiados pelo público. 

A maior obra é a de Mark Lewis, que trouxe 300m² de vidros para sua obra intitulada “Invention”, combinados para criar sensações e reflexõs no público. 

Com o título “Como (…) coisas que não existem” – que é uma invocação poética das potencialidades da arte e sua habilidade de refletir e influenciar a vida, o poder e a crença – o evento traz um grupo de curadores formado por Charles Esche, Galit Eilat, Nuria Enguita Mayo, Pablo Lafuente e Oren Sagiv, com os curadores associados Benjamin Seroussi e Luiza Proença.

A mostra traz 81 projetos e mais de 100 artistas de 34 países, totalizando cerca de 250 trabalhos, em um pavilhão dividido em três partes: área Parque, área Rampa e área Colunas.

 

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