Museu de Arte Contemporânea de Niterói corre o risco de perder a Coleção João Sattamini.

Empresário decidiu não renovar contrato de comodato alegando falta de comprometimento da prefeitura com prédio.

Matéria de Nani Rubin originalmente publicada no jornal O Globo em 28 de fevereiro de 2015.

RIO — O Museu de Arte Contemporânea (MAC) de Niterói corre o risco de perder o núcleo central de seu acervo, a Coleção João Sattamini. Conforme antecipado nesta sexta-feira por Ancelmo Gois, em sua coluna no GLOBO, o empresário João Sattamini decidiu não renovar o contrato de comodato, vencido em dezembro, alegando falta de comprometimento da prefeitura de Niterói com o prédio projetado por Oscar Niemeyer, um cartão-postal da cidade.

— Não tenho nenhuma queixa em relação às obras, os museólogos do MAC são excelentes — diz Sattamini. — Mas quero que a prefeitura cumpra o contrato. Que o museu tenha ar-condicionado, limpeza, que os tapetes, hoje rasgados, com um aspecto horrível, sejam trocados.

Esta não é a primeira vez que Sattamini ameaça retirar do museu sua coleção, cerca de 1.250 peças que incluem obras expressivas e valiosas de nomes como Lygia Clark, Sérgio Camargo, Antonio Dias e Cildo Meireles.

O diretor do MAC, Luiz Guilherme Vergara, acredita que, como das outras vezes, o colecionador vá voltar atrás em sua decisão, precipitada pelo fechamento do museu, no último dia 13, devido a um curto-circuito no sistema de climatização. Com isso, as obras previstas para o início de abril, com verba já liberada pela prefeitura, foram antecipadas. O próprio Sattamini participou há duas semanas de um jantar com Vergara e o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, no qual foram discutidos a reforma e opções para uma nova reserva técnica, hoje dividida em três espaços.

 

 

Compartilhar: