Mostra Rumos traz inovações em sua nova edição

© Divulgação

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Com 18 anos de estrada, o Rumos Itaú Cultural é um dos principais programas de apoio à produção cultural do Brasil e uma das mais longevas plataformas de incentivo do país. A abertura de sua nova edição acontece no dia 26 de agosto, para convidados, e entre 27 de agosto e 25 de outubro estará aberta ao público.

Em sua mais recente edição, a mostra Rumos está totalmente reformulada. Com a eliminação de segmentos por áreas de expressão, a mostra revela na exposição um híbrido das artes, incluindo uma maratona de espetáculos de dança, teatro, música, performance, seminários, debates que se alonga por todo o mês, no mesmo período em que são exibidas as obras com caráter expositivo em dois dos andares da casa. O participante – individual, duplo, trio, coletivo ou em grupo – não é obrigado a se enquadrar em uma única modalidade, a não ser que ache necessário.

O Rumos também oferece agora ao proponente a oportunidade de definir o que precisa para realizar o seu projeto e desenhar a sua própria anatomia. “Apostamos no risco, nas complexidades e nas particularidades de cada trabalho proposto”, diz Eduardo Saron, diretor do Itaú Cultural. “O Rumos quer ser fonte para viabilizar iniciativas e não uma fôrma para enquadrar ideias”.

O processo de seleção dos projetos que recebem verbas de apoio da instituição também possui um novo formato. Antes, o instituto formava comissões com especialistas de áreas específicas para julgar as carteiras e organizar a apresentação das obras selecionadas. Agora a seleção é realizada por uma comissão interdisciplinar, lançando múltiplos olhares sobre as propostas inscritas. A comissão é integrada por gestores do instituto e especialistas. Além de fazer a seleção e organizar os trabalhos, em alguns casos, o grupo pode, ainda, atuar como mediador junto aos artistas, promovendo o diálogo com outras proposições e sugerindo reflexões que possam contribuir para o resultado final.

Ao todo são 101 trabalhos contemplados pelo Rumos Itaú Cultural 2013-2014, entre mais de 15 mil inscritos. Nos pisos 1 e -1, o público encontra projetos assinados por 15 contemplados como Berna Reale (PA) com a vídeo-performance Precisa‐se do presente, João Angelini (DF), apresentando a pesquisa Experimentos em animação, Cecília Cipriano (RJ), com a instalação O corte, Marcelo Armani, em TRANS(OBRE)POR, mais uma instalação – esta sonora processual com fotografia digital -, Teresa Siewerdt (RS) com registro de performance Jardim de passagem, e as duplas Gisela Motta e Leandro Lima (SP) com vídeo instalação, e Rejane Cantoni e Leonardo Crescenti (SP) com a escultura cinética VOZ|VOICE.

Também são encontradas obras interativas e tecnológicas, envolvendo até mesmo desenvolvimento de softwares, aplicativos e games. Guilherme Pinho Meneses, de São Paulo, apresenta Os Caminhos da Jibóia, um game sobre o universo indígena da tribo Huni Kuin, da Amazônia, e desenvolvido por ele. Marcio Ambrósio, também de São Paulo, apresenta Moviola, uma instalação que mescla recursos das artes visuais e coloca o visitante dentro de um sistema de engrenagens e manivelas. Há, ainda, dois curtas-metragens: Rua Fulano de Tal, da paulista de Mauá Caroline Neumann, e Homenagem a Matta Clark, do carioca Pedro Urano, em cabines instaladas no andar -1.

O fotógrafo paulistano André Penteado apresenta uma instalação fora das quatro paredes do Itaú Cultural. Tudo está relacionado fica alocada em um imóvel localizado no bairro de Perdizes, Zona Oeste de São Paulo, aberto para visitação do público por duas semanas. Durante este tempo, o artista constrói uma obra que integra e entrelaça quatro arquivos distintos de fotos, sendo um herdado de seus familiares e outros três criados por ele mesmo. Isto é alcançado por um processo de análise, compreensão, edição e re-significação das imagens contidas em cada arquivo.

No piso -2 está montado um palco para receber espetáculos de diferentes vertentes. Em formatos variados e modos diversos de apresentação, passarão por ali cinco trabalhos de artes cênicas, e uma extensa circulação de seminários e debates, com a participação dos artistas contemplados neste Rumos Itaú Cultural. Durante todo o mês, eles falam desde o processo de criação de suas obras, até desafios relacionados ao campo das artes que atuam no país.

Os temas abordados são todos relacionados com os projetos selecionados. Falam do novo formato do programa e da política de editais culturais, da memória, dos deslocamentos artísticos, do corpo na arte, das cidades, o qual aborda diferentes vivências urbanas com projetos como o Janelas do Minhocão, de Iarlei Rangel Leal Sena, de São Paulo, ou o Hip Hop Cozinha: Cartografia para Comer, Ver e Ouvir, do MC Zinho Trindade, de Embu. A companhia Tropa Trupe, do Rio Grande do Norte, apresenta o seu espetáculo Agora eu posso ver!, na Sala Itaú Cultural, levando à mostra a temática circense.

Ainda neste segundo semestre, o instituto anuncia a abertura das inscrições para a edição Rumos Itaú Cultural 2015-2016.

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