Melhores momentos da ArtRio

No final do domingo, 13 de setembro, a ArtRio encerrou sua edição de 2015 com bons frutos. Apesar da chuva, o grande público compareceu em peso e trouxe mais animação para a feira.

Veja os melhores momentos de cada dia e as melhores obras da feira nas galerias de fotos.

QUARTA-FEIRA, 09 DE SETEMBRO
A feira abriu as portas para colecionadores às 11 da manhã, com movimento mais tímido que nos anos anteriores. Fizeram falta alguns colecionadores cativos, como o animado grupo de Belo Horizonte e João e Dulce Ferraz, mas os cariocas estavam todos lá, incluindo Marcinho Lobão, Fabio Schwarzwald e os Fainziliber.

Paulo Herkenhoff circulou pelos stands marcando sua seleção para a whishlist do Museu de Arte do Rio, do qual é curador. O stand que mais teve obras desejadas pelo MAR foi o do Gabinete K2, da brasiliense Karla Osório. Muitas das obras desejadas eram do seu artista revelação Christus Nóbrega, que transita agora de delicados recortes em papel impresso para obras mais filosóficas, onde mistura livros e fotografias em montagens que fazem pensar na capacidade humana de sonhar.

O livro objeto de Roberto Magalhães, na galeria Marcia Barrozo do Amaral, foi uma das obras que mais chamou atenção. Curada por Vanda Klabin, a individual de Fernando de la Rocque na Artur Fidalgo Galeria também gerou burburinho, enquanto a galeria Whitestone trouxe grandes obras dos maiores artistas japoneses, como Yayoi Kusama e Kazuo Shiraga. A White Cube voltou a expor suas estrelas, incluindo luminosos de Tracey Emin. A galeria O Colecionador conseguiu reunir obras de vários artistas cobiçados, incluindo um maravilhoso cartão de Palatnik e um óleo raro de Eliseu Visconti, e a paulista A Ponte selecionou gravuras e desenhos do Rio de Janeiro colônia em uma pequena exposição de pintores viajantes que também esteve entre as mais comentadas. Entre as internacionais, muitas reagiram à crise trazendo obras mais acessíveis de nomes estrelados, como Dali e Picasso.

Além de Herkenhoff, Paulo Venâncio Filho, Fernando Cocchiarale, Raphael Fonseca e outros curadores circularam por lá. Muitos dos grandes artistas também vieram, entre eles Marcos Chaves, Julio Vilani e Anna Bella Geiger.

Mas nem só do circuito de artes visuais foi feito o glamour da abertura. Atrizes como Bárbara Paz e Malu Galli marcaram presença.

Às 17h horas, os portões abriram para a vernissage e os descolados do Rio começaram a chegar. O músico Rodrigo Sha se apresentou para o deleite dos transeuntes.

Em geral, o clima foi agradável, mas menos intenso que nos anos anteriores. Alguns preferiram a versão menor da feira, com menos galerias, que permitiu uma visita menos corrida. A urgência que os colecionadores tinham para chegar à feira antes dos outros e logo garantir suas obras multimilionárias é coisa do passado. Muitos passeavam tranquilamente, perguntando o preço de tudo e reservando nada. As galerias sentiram o tranco, mas algumas se mostraram satisfeitas com o movimento, como a Zipper e Gustavo Rebello.

QUINTA-FEIRA, 10 DE SETEMBRO
A ArtRio abriu as portas para o grande público. Em todas as feiras, este dia costuma ser o mais parado, pois não atrai nem os colecionadores, que já vieram no preview do dia antrerior, e nem a massa, que vem no fim de semana. Aqui não foi diferente. Os corredores ficaram vazios na maior parte do dia, registrando algum movimento só a partir das 17h. Dia bom para colocar o papo em dia com as galerias.

Bom também para ver celebridades, que aproveitam o vazio para circularem anônimos. Foi o caso de Murílio Benício, que pôde ver a feira sem ser incomodado por fãs. E também ótimo para quem quer chamar atenção, como a simpática modelo vestida com roupas berrantes e carregando uma sarcástica cestinha de compras, que circulou pela feira fazendo uma sessão de fotos em diferentes espaços.

Os norte-americanos Don e Mera Rubell, colecionadores e fundadores de um dos museus mais agitados de Miami, circularam pela feira, se encantaram com o sofá do Opavivará na galeria A Gentil Carioca e tiveram uma conversa a quatro paredes com a Fortes Vilaça. Veja a entrevista exclusiva com os dois e uma mostra do charme que esbanjaram pelo Rio clicando aqui.

Às 14h, a artista japonesa Chiharu Shiota chegou para a palestra oferecida pela DASartes. Falando baixinho e timidamente, mostrou as obras que compõem sua individual no SESC Pinheiros em São Paulo, com a ajuda da curadora Tereza de Arruda. Tereza acompanha a artista há muitos anos e deu um banho de conhecimento da sua obra e do processo de criação desta que é hoje a artista mais em voga no Japão. O vídeo da montagem da obra de Bienal de Veneza, The Key in the Hand, impressionou. Esta obra foi capa da DASartes de junho e uma das mais comentadas da Biennale.

Já à noite, Fernanda Feitosa, da SP-Arte, circulava pela feira procurando a mostra Prisma, com curadoria de Carolyn Drake e José de Souza. Não foi a única. A mostra acabou ficando escondida atrás da área de publicações, com um discreto acesso próximo a entrada do pavilhão 4.

SEXTA-FEIRA, 11 DE SETEMBRO
Durante o dia, a feira permaneceu tranquila, mas no fim da tarde os corredores começaram a registrar a chegada do fim de semana.

O dinamarquês Soren Dahlgaard, do Gabinete K2, fez uma performance no fim do dia, assustando e atraindo o público com uma mistura de dança e lambança, atraente e intrigante.

Elisângela Valadares, que na 4a feira anterior havia disparado um e-mail para seus contatos anunciando que estava deixando o cargo de Diretora Executiva da empresa BEX, produtora da feira, foi vista todos os dias circulando e distribuindo sorrisos. Em conversa com a diretora da Dasartes Liege Jung, contou que esta se afastando do trabalho para passar mais tempo com a filha, mas que ainda é sócia da ArtRio e quer ficar por perto.

O stand do leilão em benefício da Fundação Viva Cazuza, liderado por Peninha da Bolsa de Arte, mostrou a generosidade de nossos artistas – entre eles Vik Muniz, Adriana Varejão e outros – que doaram belas obras em prol do apoio aos soropositivos.

Este ano, a ArtRio ofereceu um número muito maior de opções para comer e descansar, com uma simpática área de food trucks oferecendo tapiocas, empanadas e o cachorro quente delicioso de Roberta Sudbrack pelo surreal preço de R$23 cada. Ainda sim, a chegada do grande público trouxe as inevitáveis filas e reclamações. Salvou-se quem garantiu as cadeiras de praia espalhadas pelo Píer para descansar os pés.

SÁBADO, 12 DE SETEMBRO
A feira já abriu agitada, com grupos aguardando nos portões a hora da abertura. É dia de corredores lotados, ainda que não tanto quanto em 2014.

Entre os anônimos, Ney Latorraca circulava distribuindo sorrisos. O arquiteto Santiago Calatrava também mobilizou a massa, gravando uma entrevista para a Globo News no píer, com seu Museu do Amanhã ao fundo.

Com um público menos especializado circulando, as obras mais apontadas eram as mais chamativas, como a gigante abóbora de Yayoi Kusama na galeria David Zwirner. A variedade do público não excluiu os amantes da arte, que lotaram o auditório para a palestra de Iole de Freitas. Éder Oliveira também chamou atenção dando entrevista no stand da Blau Projects.

Na programação paralela, a festa da revista Jacarandá bombou até 1h da manhã, reunindo a facção mais jovem e baladeira do circuito.

DOMINGO, 13 DE SETEMBRO
Corredores lotados por quem deixou para visitar de última hora. A chuva, que caiu sem parar o dia todo, atrapalhou o acesso à feira, que com a nova Praça Mauá e as obras do VLT só pode ser feito à pé e a céu aberto.

No geral, o balanço foi positivo e a ArtRio mostrou que movimenta o circuito de arte e a agenda carioca. Em termos comerciais, nem tanto: a crise esfriou os ânimos dos colecionadores e do público leigo e a maior parte das galerias de arte contemporânea não parecia muito animada com os resultados. Além das vendas fracas, alguns reclamaram da organização da feira, que vai precisar trabalhar ao longo do próximo ano para manter a participação das galerias em 2016.

Para todos que colocaram os pés no evento apenas para visitar e se deslumbrar com a boa arte, é impossível não amar a ArtRio cada vez mais. O Museu do Amanhã já mostra seu visual completo, a nova Praça está cheia de charme, anunciando os tempos olímpicos com um letreiro digno de Instagram e a paisagem deslumbrante da Baía de Guanabara nunca cansa. As galerias capricham na seleção e formam a melhor mostra de arte contemporânea em cartaz. Com crise ou sem, torcemos todos para que a ArtRio tenha cada vez mais sucesso.

Compartilhar: