MASP anuncia novos planos

Novo diretor artístico do MASP, Adriano Pedrosa, fala em coletiva de imprensa

Ontem, pela manhã, em São Paulo, uma coletiva de imprensa no MASP anunciou os planos da nova gestão do museu, agora com Adriano Pedrosa como novo diretor artístico da instituição assumindo o lugar de Teixeira Coelho. Também estavam presentes o diretor-presidente Heitor Martins (empresário que reestruturou a Fundação Bienal), o novo diretor de operações e fomento, Luciano Pêssoa, e o novo diretor administrativo, Miguel Gutierrez.

Adriano Pedrosa terá que ser um “grande orquestrador de equipes”, como definiu Heitor Martins, para dar conta das complexidades do museu, que têm em seu acervo arte brasileira, europeia, africana, asiática, fotografia, moda. “Além disso há toda uma gama de atividades a gerir, como o educativo, publicações, biblioteca”, disse ele. Pedrosa anuncia  que dois curadores-adjuntos atuarão especificamente com arte europeia e internacional e outros estarão dedicados à arqueologia, arte africana, arte indígena e fotografia. Ele deixou clara sua intenção de trabalhar com coleções de arte indígena.

Vale lembrar que Pedrosa, como curador independente, exibe atualmente Histórias Mestiças no Instituto Tomie Ohtake, com co-curadoria com Lilia Schwarcz. Este projeto tomou dois anos de pesquisa e ele está bastante envolvido com o tema. Essa exposição, que teve abertura paralela à 31ª Bienal de São Paulo, investiga as matrizes formadoras do povo brasileiro: a questão da mestiçagem e seu rebatimento na produção artística. 

Para Heitor, “a alma de um museu está na capacidade de refletir sobre a sociedade e deve assumir esse papel”. Pedrosa disse que sua experiência anterior como curador independente o ajudou a criar estratégias variadas para lidar com as diversas questões da arte no Brasil. Como diretor, ele não pretende trabalhar sozinho e terá em sua equipe curadores-adjuntos internacionais. “(Eles) trabalharão remotamente, preparando exposições e textos sobre questões ligadas especificamente ao acervo do Masp, e virão a São Paulo quatro vezes por ano”.

O vão livre
Pedrosa também pretende potencializar do uso do Vão Livre do MASP, trazendo mais eventos, concertos e exposições. Uma das ideias é a ativação de exposições importantes da história do museu, como Mão do Povo Brasileiro (1969) e GSP/76 (Grande São Paulo).  

Passivo do museu
Desde junho, um novo estatuto do museu estabeleceu que os membros da diretoria e do conselho deveriam doar anualmente o mínimo de R$ 25 mil para sanar as pendências do museu, com dívidas de R$ 12 milhões. Segundo entrevista no Globo, de ontem, ele já conseguiu arrecadar com doações de pessoas físicas algo próximo de R$ 10 milhões e a expectativa é equalizar todo passivo até o final do ano.

Política de empréstimos
Outra questão que será revisada na gestão atual é garantir a visibilidade das obras do acervo do museu e intercâmbio com instituições de fora. Nessa direção, uma obra de Cézane será emprestada para o Metropolitan Museum, de Nova York, para uma exibição. “O museu foi muito mais plural e transversal no passado do que em anos recentes. A ideia é retomar essa identidade original”, afirma Pedrosa.

 

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