MAM Rio encerra a série de homenagens ao centenário de Iberê Camargo

© Foto: Jaime Acioli

© Foto: Jaime Acioli

Iberê Camargo: um trágico nos trópicos, exposição que abriu as homenagens ao centenário do artista no CCBB/SP, em maio de 2014, e foi reconhecida como a melhor exposição retrospectiva pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), em sua 59ª edição, marcará também o encerramento do ano comemorativo ao nascimento do artista no MAM Rio. As 131 obras, entre pinturas (49), desenhos (40), gravuras (32) e matrizes (10), que serão exibidas de 5 de setembro a 1º de novembro, incluem trabalhos especialmente selecionados pelo curador, professor e crítico de arte Luiz Camillo Osório para a mostra na capital carioca, onde Iberê viveu 40 anos, de 1942 a 1982, e onde consolidou a sua formação e se consagrou como um dos maiores importantes artistas modernos do Brasil.

No MAM Rio, o público poderá apreciar desde obras da fase Natureza Morta, iniciada na década de 1950, período em que Iberê retornou da Europa para o Rio de Janeiro depois de estudar com mestres como Carlos Alberto Petrucci, De Chirico e André Lhote, até as grandes e trágicas telas de sua última fase, nos anos 1990, que incluem as séries das Ciclistas, As Idiotas e Tudo Te é Falso e Inútil. “O núcleo da exposição é o processo de amadurecimento da trajetória de Iberê, dos Carretéis até as telas dos anos 1980, quando a figura humana começa a reaparecer. E como não poderia deixar de ser, haverá uma pequena mostra complementar do Iberê gráfico, apresentada como uma exposição de câmara, intimista, em que muitos dos seus temas e obsessões são trabalhados no corte preciso da linha e das várias experimentações realizadas como gravador”, diz Camillo Osorio.

“É justamente o mergulho nas visões cruas e dolorosas da vida que me parece evidenciar a dimensão trágica da pintura de Iberê, sua densidade existencial, sua recusa, tão anti-brasileira, a crer que, ao fim, a harmonia afirmará. Ao longo de sua trajetória, começando com as paisagens, passando pelos carretéis, pelo flerte com a abstração – uma abstração feita de acúmulos e não de redução – e chegando às últimas telas com uma figuração assombrosa, o que vemos é uma paleta pouco solar, uma atmosfera de densidade angustiada, um corpo matérico onde sensualidade e sofrimento se irmanam incansavelmente”, escreve o curador em seu texto publicado no catálogo da mostra, que também reproduz artigos escritos por Ferreira Gullar, Marcus Lontra, Walmir Ayala e Quirino Campofiorito, todos relacionados às exposições realizadas por Iberê no MAM carioca.

“A obra de Iberê é tão atual, jovem e vibrante, que poderíamos batizar as celebrações como o Centenário do Garoto, no caso do Rio, ou o Centenário do Guri, quando a homenagem aconteceu na sua terra natal, no Rio Grande do Sul”. Luiz Camillo Osório também assina a organização e apresentação do livro CEM ANOS DE IBERÊ, editado em 2014 pela Cosac Naify em parceria com a Fundação Iberê Camargo. A obra, de 448 páginas, exibe 272 imagens e 13 textos curatoriais de exposições do artista realizadas pela Fundação Iberê Camargo.

Segundo Fábio Coutinho, superintendente cultural da Fundação com sede em Porto Alegre, Iberê Camargo: um trágico nos trópicos é uma das maiores retrospectivas já realizadas com a obra do artista. “Encerrar esta série de homenagens na cidade que acolheu Iberê e no MAM Rio, instituição que realizou a sua primeira exposição retrospectiva, em 1962, é uma dupla homenagem que nos deixa muito felizes”, afirma.

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