Lygia Clark: o abandono da arte, 1948-1988

Primeira retrospectiva no MoMA dedicada à artista plástica brasileira Lygia Clark.

O Museum of Modern Art (MoMA), em Nova York, abriu dia 10 de maio, a primeira retrospectiva dedicada a artista plástica brasileira Lygia Clark O MoMA reúne na mostra Lygia Clark: The Abandonment of Art, 1948-1988 (“Lygia Clark: O Abandono da Arte, 1948-1988”),mais de 300 obras da artista, abordando diferentes fases: desde do neoconcretismo aos anos 80.

É uma questão da filosofia – inclusive de autores como Heidegger – a discussão a respeito da relação dialética exercida pelo artista e pela obra de arte. Para Heidegger, a obra de arte é uma coisa e, ao mesmo tempo, é mais que uma coisa. A obra ultrapassa o conceito de coisa, por transpor a própria condição material de forma: ela é algo a mais, vai além do material que a define. O artista rompe as barreiras de definições de arte ao fazer arte. E Lygia Clark rompeu com a tradicional família de juristas, rejeitou a ortodoxia do concretismo e fundou uma nova linguagem da arte abstrata brasileira: o neoconcretismo.

A exposição no MoMA divide as quatro décadas da produção artística de Lygia em três grandes temas: abstração, neoconcretismo e abandono da arte. No período de 1960 a 1964, Lygia criou a série Bichos: são esculturas que podem ser manipuladas pelo público, cujo intuito é a interação com o espectador por meio de estímulos sensoriais. Os objetos variam de sacos plásticos à luvas e pedras. Além de objetos que podem ser tocados pelas pessoas, a mostra exibe vídeos com imagens da época que estimulam os sentidos do público, de tal forma a questionar o limite que a “arte como coisa” – definida por Heidegger – exerce sobre as pessoas: uma mesma obra tem possibilidades de significação que ultrapassam a realidade. A exposição fica em cartaz até 24 de agosto.

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