Leilão de arte latino americana da Christie’s apresenta coleção contemporânea brasileira

© Divulgação

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O leilão de Arte Latino Americana da Christie’s, nos dias 20 e 21 de novembro, oferece 20 obras excepcionais de alguns dos mais influentes artistas brasileiros, pertencentes à Coleção Brazil Golden Art, o primeiro fundo privado brasileiro dedicado à arte. Esta seleção realça uma amostra notável da coleção com trabalhos dos principais artistas responsáveis pelo prestigio e pela visibilidade apreciada na arte contemporânea brasileira de hoje, tanto no Brasil como no exterior.

Destaques da coleção incluem:

Adriana Varejão (n. 1964) Espelho D’Água, 2008, (estimativa: US$300.000-500.000). Uma das principais artistas contemporâneas brasileiras, Adriana Varejão tem um trabalho que desafia as convenções da pintura enquanto dialoga com memórias históricas e culturais intrinsecamente ligadas ao impacto do barroco no Brasil. Em Espelho D’Água, o tradicional azulejo português branco e azul é transformado em uma onda virtual, um poderoso símbolo da água que tanto seduz e envolve o espectador. As rachaduras, superfícies fraturadas e bordas corroídas sugerem simultaneamente destruição e transformação – potente símbolo de transculturação e resistência.

Luiz Zerbini (n. 1959), A Praça, 1985, (estimativa: US$80.000-120.000). Zerbini é um ‘pintor do pintor’, que surgiu pela primeira vez no âmbito do “retorno à pintura” no anos 80, centralizado no Rio de Janeiro e definido pela exposição de 1984, Como vai você Geração 80?. Zerbini escreveu, “O que eu queria realizar com o meu trabalho era fazer com que as pessoas sintam, ao olhar para uma pintura, o que eu sinto quando ando pela rua”. A Praça sintetiza a atmosfera ativa, vividamente apresentando suas cores, sons e movimentos. Sem a presença de uma linha do horizonte, as figuras parecem suspensas no espaço e no tempo, os seus corpos cortados pela aresta inferior da pintura. Uma cacofonia colorida, a pintura registra os sons do ambiente da praça: o espirro da fonte de água; o barulho dos músicos de rua, tocando trompete, clarinete e tambor; o silêncio das vitórias-régias.

OsGêmeos (Otávio e Gustavo Pandolfo, n. 1974), Sem Título (acrílico sobre tela 200 cm x 400 cm; estimativa: US$200.000-300.000). Desde os tempos de adolescência no modesto bairro Cambuci, Otávio e seu irmão gêmeo Gustavo cultivam ambientes alegres e heterogêneos através de seu trabalho como OsGêmeos, liberando o que tornou-se sua assinatura com personagens amarelos em espaços públicos ao redor do mundo. Autodidatas, OsGemeos encontraram estímulo precoce nas ruas de São Paulo na década de 1980. Um humilde cortejo se move através da paisagem no presente trabalho, com uma mistura colorida de estampas – da bola de futebol preto-e-branca (o chapéu) para a tela multicolor da TV, segura por um fino braço – contra um envolvente fundo cor de terra. Com uma cena de migração, o quadro presta homenagem aos milhões de brasileiros que se mudaram do campo para a cidade na era pós-guerra.

Waltércio Caldas (n. 1964), O Mar da Série Negra 2005 (granito, aço inoxidável, vidro, acrílico e fios de algodão, 180 cm x 120 cm x 85 cm; estimativa: US$80.000-120.000. Com o trabalho que utiliza uma variedade de suportes e materiais, Watércio Caldas tem levantado questões de fronteiras e visibilidade, questionando as relações de toque e distância e a natureza da arte propriamente dita. O Mar pertence à Serie Negra, que estreou em 2005 e inclui esculturas de mesas de diversos tamanhos incorporando uma estrutura de aço, granito preto polido, fios de lã coloridos e folhas de vidro transparentes que se unem em diferentes configurações, mas cuidadosamente equilibrados. A justaposição destes materiais convida à refletir sobre as propriedades polares de cada um: opacidade e transparência, leveza e peso, resistência e fragilidade. “Minha ideia é que você enxergue meu trabalho não através do primeiro olhar ao entrar, mas através de um segundo, voltando.”

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