Itaú Cultural começa por Niterói a série de workshops do "Rumos Artes Visuais"

Os workshops com temas diversos como performance, crítica e técnica, abrem no MAC de Niterói a série que percorrerá 10 cidades brasileiras durante todo o ano.

De 3 a 5 de março (de terça-feira a quinta-feira), o MAC – Museu de Arte Contemporânea de Niterói e o Itaú Cultural realizam a oficina Contando um lugar (imagem, som, gesto, palavra e outras possibilidades de narrar o sensível). A atividade é ministrada pelos artistas visuais André Severo e Maria Helena Bernardes, selecionados nas edições anteriores do programa “Rumos Artes Visuais” e membros do Areal, um projeto em arte contemporânea brasileira. As aulas acontecem das 9h30 às 12h30 e das 14h às 17h, nos dias 3 e 4; e das 9h às 12h30, no dia 5. Ao todo, serão disponibilizadas 15 vagas. As inscrições devem ser feitas de 9 a 20 de fevereiro, pelo e-mail comunicacao@macdeniteroi.com ou pelo telefone (21) 2620-2530.

Em Contando um lugar, Severo e Maria Helena tratam de meios, fontes de referência artísticas, leituras. Outros assuntos a serem abordados são os modelos de compartilhamento em grupo de estratégias de construção poética associadas à narrativa textual, à performance oral, ao uso de imagens e à participação do gesto. Voltada para estudantes de artes, artistas em trajetória e interessados de modo geral, essas aulas têm, como base, experiências de criação a partir do encontro com um lugar, real ou ficcional. A dupla divide com os alunos, assim, o conhecimento adquirido em seus 14 anos de parceria desenvolvida no litoral gaúcho, no sul do Brasil.

Esta oficina abre a série de workshops Singularidades/Anotações que durante 2015 vai itinerar por 10 cidades do país – em locais sendo definidos –, ministradas por 11 artistas contemplados no “Rumos Artes Visuais”. O grupo foi selecionado por Aracy Amaral, Paulo Miyada e Regina Silveira – curadores desta série que dá continuidade ao objetivo da mostra Singularidades-Anotações/Rumos Artes Visuais 1998-2013, também curada por eles: apresentar ao público o legado deste que é o principal programa de fomento no Itaú Cultural nos últimos 16 anos. Realizada em 2014 no instituto em São Paulo, a exposição exibiu obras de outros 35 artistas de todas as regiões do país escolhidos pela curadoria entre os contemplados em todos os editais de Artes Visuais e Arte e Tecnologia do “Rumos”.

“Os artistas selecionados pela equipe curatorial para esta fase de Singularidades/Anotações têm suas trajetórias ligadas a práticas relacionadas à educação e à formação”, explica Sofia Fan, gerente do núcleo de Artes Visuais do Itaú Cultural. “Como a ideia é gerar trocas de experiências e referências, esta série pode resultar na aproximação destes artistas, que já passaram pelo “Rumos” com o público e produção local”, conclui.

Rumos Legado

Principal programa de apoio à produção cultural brasileira do Itaú Cultural e uma das plataformas mais longevas de incentivo do país, ao chegar à sua 16ª edição, em 2013, o “Rumos Itaú Cultural” passou por mudanças estruturais e de conceito, eliminando, entre outras modificações, a divisão de carteiras por áreas de expressão.

A iniciativa estimulou o instituto a buscar o que os contemplados até aquela edição produziram, com a proposta, segundo Eduardo Saron, diretor do Itaú Cultural, de lançar um olhar sobre estes 16 anos de trajetória do programa. Assim, ao longo de 2014, o instituto apresentou um recorte da produção realizada pelos artistas selecionados, em um total de 1.130 projetos em Artes Visuais, Arte e Tecnologia, Cinema e Vídeo, Dança, Educação, Jornalismo Cultural, Literatura, Música, Pesquisa Acadêmica e Teatro.

Na ocasião, a exposição Singularidades-Anotações/Rumos Artes Visuais 1998-2013 apresentou um recorte do legado de 16 anos dos editais “Rumos Artes Visuais” e “Rumos Arte Cibernética”, por meio de 60 obras de 35 artistas, de um total de 1.130 trabalhos. Neste ano, a série de workshops funciona como uma extensão desse trabalho, agora com o objetivo de fomentar o debate e a formação sobre a produção recente de arte contemporânea.

Perfil dos palestrantes

André Severo nasceu em 1974, e vive e trabalha em Porto Alegre. Mestre em poéticas visuais pelo Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, iniciou, em 2000, ao lado de Maria Helena Bernardes, as atividades de Areal, projeto que se define como uma ação de arte contemporânea deslocada que aposta em situações transitórias capazes de desvincular a ocorrência do pensamento contemporâneo dos grandes centros urbanos e de suas instituições culturais. Em 2004 publicou Consciência errante, quinto volume da série Documento Areal.

Em 2007 elaborou, com Cláudia Vieira, Grady Gerbracht e Paula Krause, o projeto Lomba Alta, um programa de residência que se utilizava do espaço físico de uma fazenda, em atividade no Rio Grande do Sul e para oferecer o espaço e os meios para a realização de investigações artísticas que colocassem em foco a experiência do fazer criativo e reflexivo compartilhado. Em 2008 inaugurou, com Marcelo Coutinho, o projeto Dois vazios, buscando alcançar o encontro de duas linguagens artísticas (cinema e artes plásticas), e o embate entre os pampas do Sul e o sertão do Nordeste. Em 2009 publicou Histórias de península e praia grande/Arranco, com Maria Helena Bernardes – trabalho que reúne, em livro, histórias orais colhidas no Rio Grande do Sul, e, em um filme, traduz em imagem, tempo e símbolo a amplidão e o imaginário da região.

Em 2010 lançou Soma, experiência audiovisual que trata do encontro de indivíduos movidos pelo impulso da errância. Com Maria Helena, foi curador da mostra “Horizonte expandido”, proposta expositivo/reflexiva que inaugurou um debate sobre a construção e afirmação de novas possibilidades de contato entre arte e público. Em 2012, convidado por Luis Pérez-Oramas, foi curador associado da XXX Bienal de São Paulo – A Iminência das Poéticas e publicou Deriva de sentidos – nono volume de Documento Areal e segunda parte da tetralogia Nômada. Em 2013, com Oramas, fez a co-curadoria da exposição Dentro/fora dentro da representação brasileira na 55ª Bienal de Veneza.

Maria Helena Bernardes nasceu em Porto Alegre (RS), em 1966. Graduou-se em desenho e gravura na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Leciona História e Teoria da Arte na Arena, associação dedicada à promoção de projetos independentes de artistas e à formação teórica em artes (Arena Cursos). Ao lado de André Severo, é coautora do Projeto Areal, por meio do qual publicou os livros: Vaga em Campo de Rejeito. (Documento Areal 02. São Paulo: Escrituras, 2003); História de Península e Praia Grande/Arranco (com André
Severo, Documento Areal 07. Porto Alegre: Fundação Bienal do Mercosul, 2009). Dilúvio (com André Severo, Documento Areal 10. Belo Horizonte: Ja.Ca, 2010). A Estrada que não Sabe de Nada (com Ana Flávia Baldisserotto, Documento Areal 11.Rio de Janeiro: Confraria do Vento) e Ensaio (com André Severo, Documento Areal 12. São Paulo: Panorama da Arte Brasileira, 2011).

SERVIÇO

Workshop Itaú Cultural: Singularidades-Anotações
Contando um lugar (imagem, som, gesto, palavra e outras possibilidades de narrar o sensível)
Com André Severo e Maria Helena Bernardes (Projeto Areal)
De 3 a 5 de março de 2015
Dias 3 e 4 de março (terça-feira e quarta-feira), das 9h30 às 12h30/das 14h às 17h
Dia 5 de março (quinta-feira), das 9h30 às 12h30
Local: MAC – Museu de Arte Contemporânea de Niterói
Endereço: Mirante da Boa Viagem, s/nº – Boa Viagem, Niterói – RJ, 24210-390
Inscrições: de 9 a 20 de fevereiro
Tel.: (21) 2620-2530 / comunicacao@macdeniteroi.com
15 vagas
Pré-requisitos: estudantes de artes, artistas visuais e pessoas com formação em outras áreas, desde que tenham interesse na experiência de contar um lugar e de construir uma narrativa em torno deste lugar eleito pela via poética.
Seleção: ordem de inscrição
Proposta:
– apresentação: objetivos, projetos, aspirações, dúvidas e experiências trazidas pelos participantes e ministrantes
– descoberta/mergulho/invenção de lugares: possibilidades poéticas de representação ou realização de um lugar nas artes visuais
– outros lugares/outras fontes: apresentação/discussão em torno de obras de artes visuais, cinema, literatura que narram ou constroem lugares na contemporaneidade
– confraternização e conversa sobre os experimentos e entendimentos vividos no workshop.

Itaú Cultural
Avenida Paulista, 149, Estação Brigadeiro do Metrô
Fones: 11. 2168-1776/1777 e atendimento@itaucultural.org.br
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