Guerra e Paz, de Candido Portinari, de volta a Nova York

© Divulgação

© Divulgação

Doados pelo Brasil à ONU em 1956 e inaugurados em setembro do ano seguinte, os painéis Guerra e Paz, de Candido Portinari (1903-1962), voltaram à sede da instituição, em Nova York, plenamente restaurados e após quatro anos em itinerância nacional e internacional promovida pelo Projeto Portinari. A monumental obra-prima, já reinstalada em seu local de origem – o hall da Assembleia Geral da ONU –, e atualmente coberta por um véu translúcido, será reinaugurada nos Estados Unidos em 8 de setembro, durante cerimônia conduzida por um filme-espetáculo com direção de Bia Lessa.

Entre os convidados estarão Chefes de Estado, Delegados, Embaixadores da ONU, autoridades, artistas, intelectuais, e celebridades do mundo inteiro. “A ideia é propor uma cerimônia que inspire a reflexão de todos sobre a pungente mensagem final de Portinari no contexto atual, sobre os limites da humanidade hoje do ponto de vista humano, ecológico e econômico, e a necessidade imediata de transformação do viver no planeta, fortalecendo a essência da missão da ONU, de transformar aflições em esperança, guerra em paz”, explica João Candido Portinari, fundador e diretor-geral do Projeto Portinari, filho único do pintor.

O Projeto Portinari planeja apresentar no grande Plenário da Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU) um filme-espetáculo, com direção de Bia Lessa, que evidencia a ideia de construção de um mundo mais justo, mais respeitoso do sagrado da Vida, conclamando para isso a convergência das diferentes culturas, da diversidade linguística e artística dos povos e das contradições humanas. A obra estabelece uma relação direta entre o que está sendo apresentado ao vivo e imagens que mostram o diálogo entre a música, a literatura, o cinema, a fotografia, a filosofia, a ciência e a estatística. Ao final do espetáculo, os painéis estarão descobertos para a apreciação do público presente. “O filme-espetáculo propõe a discussão pela qual Portinari deu a vida ao pintar essa obra monumental. A nossa ideia é mostrar que a busca pela paz deve ser um projeto permanente do homem”, afirma Bia Lessa.

A cerimônia na sede da instituição representa a última etapa do Projeto Guerra e Paz, que permitiu que o público tivesse acesso a mais importante obra de Portinari – hoje os painéis não podem ser vistos nem mesmo durante as visitas guiadas à instituição. A obra volta para o hall de entrada da Assembleia Geral da ONU após restauração integral em ateliê aberto ao público e apreciação de mais de 360 mil pessoas no Brasil e na França durante os quatros anos em que permaneceu sob a guarda do Projeto Portinari. “O maior desejo de Portinari era a paz, a fraternidade, a justiça. Desejo ético, que faz com que essa obra vá muito além da arte. Os painéis Guerra e Paz representam também a cultura de paz exercida historicamente pelo Brasil”, afirma João Candido.

Compartilhar: