Gilberto Salvador: arte e liberdade em espaços públicos

© Divulgação

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O Parque Cândido Portinari, área de lazer da Zona Oeste de São Paulo, abriga agora a escultura Bicicleta, do artista plástico Gilberto Salvador. A obra foi desenvolvida a partir de uma conversa de Gilberto com seu amigo ciclista, Max Meirelles, que lhe pediu uma escultura com o tema “bicicleta”. O artista, que busca se manter afastado de obras temáticas, em princípio rejeitou a proposta, mas, ao final de uma conversa, decidiu elaborar o projeto. Foi concebida então uma peça a partir de seis círculos e três retângulos, remetendo a um grupo de ciclistas velocistas. A escultura está localizada ao lado da ciclovia do parque e reforça a importância da bicicleta, que é considerada pela ONU o meio de transporte mais sustentável do mundo.

Gilberto Salvador possui uma extensa carreira, marcada por experimentações e sua versatilidade ao longo de mais de cinco décadas. Atualmente, é consagrado por suas diversas obras distribuídas por espaços públicos da cidade de São Paulo. O artista vê a ocupação dos espaços públicos com obras de arte como uma tendência natural da linguagem artística. “Ela leva a um contato direto do artista com o público maior e cumpre a função básica da sociabilidade da arte”, afirma. Gilberto frisa também a participação do grafite e da pichação nessa temática, com um caráter inclusivo significativo.

A obra de Gilberto Salvador passou por muitos desdobramentos ao longo de sua carreira. Nos anos 1960, seus trabalhos foram fortemente marcados pelo engajamento político, mas há muito tempo a política deixou de ser um tema explorado em suas pinturas, gravuras e esculturas. Hoje, Gilberto considera a arte engajada um equívoco romântico de sua juventude, e afirma que a linguagem da arte está acima de qualquer função, inclusive da função política. Além disso, acredita que a arte não deve ser limitada por uma temática definida, por mais criativa que seja a obra. “Para mim, arte é como sexo. Se tiver que ser contextualizado, lá se foi o tesão”.

Ao ocupar um espaço público com arte, Gilberto acredita levar para ele a poética da liberdade. Esse é o verdadeiro compromisso de suas obras. O problema da função, ele prefere deixar para os arquitetos e designers. Sobre o termo “arte pública”, esclarece que toda arte é pública; na medida em que há um público para vê-la, os espaços podem ter outra significação quanto a isso.

Gilberto Salvador revelou com exclusividade seus próximos projetos: ainda este ano realizará uma exposição de gravuras na Pinacoteca Benedito Calixto, em Santos; no próximo ano, levará uma grande exposição para o Museu de Arte Contemporânea de Campinas, e ao longo de tudo isso há projetos em andamento, como uma escultura submarina e esculturas ambientais em outros espaços. O artista considera fundamental ter vários projetos em andamento, acompanhando a velocidade do mundo contemporâneo.

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