Gerhard Richter na Marian Goodman de Londres

Depois de 20 anos, Gerhard Richter, hoje com 82 anos, surge em exposição inédita em Londres na galeria Marian Goodman, com 40 obras inéditas

A globalização torna ao mesmo tempo tudo fragmentado e próximo“, disse Gerhard Richter em entrevista ao Guardian. Falta quietude no mundo. Aos 82 anos e 60 de carreira, ele guarda uma outra relação com o tempo. Depois de 20 anos sem expor, Gerhard Richter surge em individual inédita em Londres. Sua amiga Marian Goodman, com novo espaço na capital inglesa (a galeria também está em NY e Paris), apresenta mais de 40 obras recentes do pintor e uma grande escultura em vidro. Além disso, uma retrospectiva com importantes trabalhos dele.

No meio da sala principal, uma obra monumental intitulada “7 painéis de vidro (House of Cards)” é descrita por Benjamin HD Buchloh como “o culminar de uma preocupação ao longo da vida com o material … [e] uma negação alegórica da história dentro da pintura e da arquitetura utópica do século XX“. Segundo Richter, ele pensou nas esculturas de Richard Serra e no “Mar de Gelo”, de Caspar David Friedrich, com sua pintura de desordenados blocos de gelo do Ártico. Ali, no centro da galeria, todos seguem refletidos junto com o resto da exposição.

Há também pinturas feitas sobre vidro como os dípticos em cinzas solenes (ver na galeria de fotos acima). Além das obras inéditas, Richter pontua a exposição com uma seleção de pinturas sobre tela, vidro e fotografias feitas ao longo dos últimos 15 anos – incluindo a sua ‘Abstraktes Bild’ e pinturas “Farben”. 

No andar de cima, a série Strips traz obras impressas, digitais, as maiores com 10m de largura, compostas inteiramente de listras coloridas. Essas faixas de cores, até mesmo nas fotos, trazem uma sensação mista de repouso e de velocidade. Aqui, Gerhard está fotografando seus óleos abstratos da década de 90 e reencontrando sua própria obra novos caminhos. Quem viu de perto diz ser difícil se concentrar em uma cor: “os olhos saltam entre as cores paralelas“, diz o jornalista Adrian Searle.

Gerhard Richter participou recentemente de exposições individuais substanciais na Fondation Beyeler, Basel; O Kunstmuseum Winterthur; e Staatliche Kunstsammlung, Dresden. O trabalho do artista foi visto pela última vez em Londres, em ‘Gerhard Richter: Panorama “, uma retrospectiva abrangente na Tate Modern, em 2011, que viajou para Berlim e Paris.

A galeria Marian Goodman fica num antigo armazém vitoriano de 11.000 metros quadrados no Soho e está aberta ao público entre terça-feira a sábado, das 10h até 18h. 

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