Galeria Carbono abrirá nova mostra de Roberto Magalhães

© Carbono Galeria

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Se em 1922 o Brasil rompia seus grilhões com a Europa – ou ensaiava isto com telas de Tarsila, florações de Mário de Andrade e poética de Manuel Bandeira – com a mostra Opinião 65, no MAM do Rio de Janeiro, o Brasil irrompia na via mundial dos proclamas pelas liberdades – as de Martin Luther King, dos Beatles, de Woodstock. Liberdade de corpo e espírito, de movimento e ritmo, de fusão das artes e da vida como já se ensaiava na música de Zé Ketti em Opinião – show que emprestou o título à mostra — em que a voz frágil de Nara Leão cantava: “Podem me bater/ Podem me prender/ Podem até deixar-me sem comer/ Que eu não mudo de opinião. “

Opinião 65 tornou conhecidos os artistas Antonio Dias, Vergara, Gerchman e Roberto Magalhães. É com Roberto Magalhães que a Carbono Galeria homenageia o espírito de liberdade de Opinião 65 por meio da mostra Sem pé nem cabeça apresentando a edição de mesmo nome.

A série se apresenta em um imponente estojo/moldura de acrílico e traz em cada exemplar um original, dos anos 60 aos dias de hoje, escolhidos numa seleção rigorosa de importância histórica e qualidade. Muitos dos desenhos foram expostos em 2000 na grande mostra do artista no Instituto Moreira Salles, e outros foram reproduzidos em catálogos.

Da moldura saem duas gavetas: a primeira contém um livro com a reprodução de todos os originais em grande formato, e a outra contém um rolo místico com a escrita enigmática de Roberto.

A exposição é uma verdadeira amostra do virtuosismo e das possibilidades de invenção gráfica do desenho: os originais são em gouache, aquarela, grafite, ecoline ou pastel oleoso. E ainda, para contextualizar o conjunto, serão exibidas telas em óleo e acrílica do artista.

A realização é de UQ!Editions, com design de Lucia Bertazzo. Como escreve Leonel Kaz, editor da UQ!, no livro que compõe a obra: “Roberto Magalhães talvez seja o mais latino de nossos artistas brasileiros, incorporando símbolos, dissolvidos no tempo, de nossa ancestralidade ibérica. Seus desenhos se encontram em tempo-nenhum, apenas fios, traçados, lianas, cipós, um emaranhado de traços e pigmentos de cor que se originam na cabeça do artista. É bem ali, em seu imaginário aparentemente sem sentido e em sua memória afetiva, que habita toda esta coletividade de monstros, seres ou coisas. ”

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