Exposição "Made in Brazil" reúne grandes nomes da arte brasileira na Casa Daros

Com curadoria de Hans-Michael Herzog e Katrin Steffen, a coletiva apresenta 60 obras de Antonio Dias, Cildo Meireles, Ernesto Neto, José Damasceno e Waltercio Caldas.

A chegada da Casa Daros ao Rio de Janeiro, em março de 2013, ampliou o acesso do público carioca ao universo da arte latino-americana. Um grande panorama sobre o segmento foi exibido através de quatro grandes mostras: “Cantos Cuentos Colombianos”, “Le Parc Lumière – Obras Cinéticas de Julio Le Parc”, “Fabian Marcaccio – Paintant Stories” e “Ilusões”, que reuniu 50 trabalhos de onze artistas importantes. Agora, o espaço vai apresentar uma primeira mostra totalmente dedicada à arte brasileira, com destaques da Coleção Daros Latinamerica, localizada em Zurique, que conta com mais de 1200 obras.

Com o título de “Made in Brasil” e curadoria de Hans-Michael Herzog e Katrin Steffen, a coletiva ocupa toda a área expositiva do edifício neoclássico com 60 obras emblemáticas de Antonio Dias, Cildo Meireles, Ernesto Neto, José Damasceno, Miguel Rio Branco, Milton Machado, Vik Muniz e Waltercio Caldas.

“A exposição foi concebida como uma homenagem ao magnífico ambiente artístico do Brasil, do qual nos sentimos muito felizes em poder participar. Esta florescente paisagem artística fornece a base necessária para uma nova análise de outros fenômenos artísticos latino-americanos apresentados na Casa Daros. Com nossa abrangente coleção de obras de artistas brasileiros, parece perfeitamente adequado dedicar uma exposição exclusiva à arte brasileira em seu país de origem”, contam os curadores.

O percurso expositivo começa com a instalação “Faça você mesmo: Território Liberdade (Do It Yourself: Freedom Territory, 1968/2015)” de Antonio Dias, na área da bilheteria da Daros. Em seguida, o visitante entra em uma sala escura com sofás onde é exibida a espetacular videoinstalação “Entre os olhos, o deserto” (1997), de Miguel Rio Branco, com 40 minutos de duração e trilha de Ronaldo Tapajós. O próximo espaço traz um conjunto de 22 livros-objetos de Waltercio Caldas, reunidos pela primeira vez.

Um dos destaques da mostra é instalação “Missão/Missões (Como construir catedrais)”, feita por Cildo Meireles em 1987, em alusão às sete missões fundadas pelos jesuítas no Paraguai, Argentina e no Sul do Brasil entre 1610 e 1767. Construída com 600 mil moedas, dois mil ossos e 500 hóstias, a obra foi exibida na retrospectiva do artista na Tate Modern, em Londres. Desde 1998, este trabalho não é exibido no Brasil.

A exposição continua com treze trabalhos de Antonio Dias, entre pinturas, objetos e instalações produzidos entre 1960 e 1990. Oito desenhos de Milton Machado ocupam as salas seguintes. E também duas obras de José Damasceno: a instalação “Agregado” (1999), em que estantes estão amontoadas em precário equilíbrio, e “Can you hear me?” (2006), dois trompetes unidos pelo bocal.

Cinco famosas fotografias de Vik Muniz também participam da coletiva. Elas foram feitas a partir de desenhos criados em diversos materiais, como os soldadinhos de plástico colorido em “Toy Soldier” (2003), os diamantes no retrato de “Marilyn Monroe” (2004); a sopa de feijão no retrato de Che Guevara, em “Che (Black Bean Soup)” (2000); a calda de chocolate para retratar Freud em “Sigmund” (1997), e macarrão e molho em “Medusa Marinara” (1997). “Andy Warhol“ (2000), da série “Imagens de tinta” também está nesta sala.

Na última sala, estará o trabalho interativo “Humanoides” (2001), de Ernesto Neto, que cria uma fusão em que o corpo da escultura veste o espectador, promovendo um reencontro com a vivência de gestação, amor, e percepção da organicidade do aconchego, que é deixado de lado em nosso cotidiano acelerado.

A exposição “Made in Brasil” vai até o dia 9 de agosto. A Casa Daros fica na Rua General Severiano, 159, Botafogo. Funcionamento: de quarta a sábado, das 11h às 19h, e somingos e feriados, das 11h às 18h. Ingresso: R$14,00 / Idosos e estudantes com mais de 12 anos: R$7,00. Quartas-feiras: entrada gratuita.

 

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