Entre o Low e Hi-tech: uma panorâmica de Giselle Beiguelman

© Divulgação

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A exposição “Cinema Lascado”, que faz um recorte dos últimos 10 anos de produção da artista e pesquisadora Giselle Beiguelman, um dos principais nomes nacionais e internacionais de artemídia tem curadoria de Eder Chiodetto.

A mostra é composta por vídeo instalações, projeções e 22 imagens inéditas, resultantes de suas pesquisas sobre imagem digital, estéticas da obsolescência tecnológica e paisagens urbanas arruinadas.

Utilizando-se de softwares, ferramentas e aparatos eletrônicos de várias gerações, a produção de Giselle Beiguelman problematiza a tecnologia no campo estético. Seus vídeos fazem o espectador viajar pelo tempo entre a “paleoweb” e o pós-cinema, e suas imagens entre o Low-tech e o Hi-tech. São viagens por paisagens urbanas que choram, que explodem, que passam rapidamente pelos olhos e se fixam na memória, que discutem, em paralelo, ainda, o consumo desenfreado de tecnologia e a obsolescência programada.

“Cinema Lascado”, obra que dá nome a mostra é um projeto marcado pelo acidente e pela busca de estéticas capazes de dar conta de cicatrizes urbanas provocadas por intervenções públicas na paisagem das cidades. Com uma câmera de vídeo, a artista captou paisagens urbanas devastadas, onde vias elevadas, como o Minhocão, em São Paulo, e a extinta Perimetral, no Rio de Janeiro, produzem fraturas sociais e cicatrizes no tecido urbano e simbólico dessas cidades. Editando os vídeos gravados em HD através de antigos programas de animação de imagem e criação de site, hoje obsoletos, a artista explora as estéticas das ruínas tecnológicas e do ruído do processamento maquínico (Glitch), criando obras que transitam entre e o hi e o low-tec, o acidente e o projeto, a intensidade da cor e a pretensa assepsia dos meios digitais. Apresentadas em formato inédito, as videoinstalações “Cinema Lascado – Minhocão” (2010) e “Cinema Lascado -Perimetral” (2016), permitem o espectador vivenciar escombros e percursos impossíveis, como estar, simultaneamente, em cima e embaixo do Minhocão, ou passear pela Perimetral, ao mesmo tempo em que assiste sua implosão.

A ponte aérea entre São Paulo e Rio de Janeiro é o tema do vídeo “CDH-SDU” gravado com celular durante decolagens e aterrissagens nos aeroportos de (Congonhas, CGH) e Rio de Janeiro (Santos Dumont, SDU). Apesar da paisagem ser reduzida a elementos mínimos informativos, as cores dominantes e o som convertem o movimento em texturas e volumes modulados pela luz, despertando os sentidos do espectador que logo é arrebatado ao trajeto ao reconhecer os áudios de comando das chefes de cabines dos voos.

A série de vídeos “Fast/Slow Scapes” (2006) foi gravada com alguns dos primeiros modelos de celulares com câmera acoplada, entre 2005 e 2006. São vídeos curtos gravados sempre de dentro de carros, táxis, barcos, trens e ônibus, como diários de viagens de cidades como São Paulo, Belo Horizonte, Berlim, Nova York e mar Egeu (Grécia), que registram experiências nômades mediadas pelo terceiro olho ciborgue da câmera de celular.

Ainda explorando paisagens urbanas e experimentando sua desordem como paradigma essencial para fruição, a série inédita “Paisagens Ruidosas” (2013-2016) investiga estéticas do ruído, em particular o glitch, e os modos pelos quais dialoga com espaços fragmentados e as experiências que temos das fraturas urbanas.

Em uma homenagem ao cineasta Michalangelo Antonioni e ao filme “Deserto Rosso” (1964), seu primeiro filme fotografado em cores, Giselle exibe em série homônima 12 imagens que através de processos de corrupção de seu código original registram a descartabilidade dos equipamentos digitais e as suas relações com as dificuldades de comunicação.

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