Damasceno revela mundo escondido dentro de uma velha biblioteca

Pessoas de cabeça pra baixo, pegadas do primeiro bibliotecário já morto, um auditório que sofreu uma mutação genética, um homem de barro colapsa em uma mesa...

No biblioteca Holborn, em Londres, a algumas quadras do British Museum, o mundo abriu uma janela no tempo. O prédio, que tem um projeto arquitetônico de 1960 e permite a entrada de luz natural no ambiente, é o ponto de partida para uma excursão em um universo paralelo e fantástico.

Grupos de pessoas andam de cabeça pra baixo no teto do hall central, na sala principal de leitura pegadas de papel cortados de uma enciclopédia deixam os rastros dos passos do primeiro bibliotecário, no auditório-cinema já em desuso o piso de madeira ganha formas biomórficas, como se o tempo tivesse se encarregado de transformá-lo e ninguém tivesse percebido por décadas. Na sala onde historiadores locais vão para consultar os arquivos, um homem de barro colapsa em uma mesa.

A intervenção generosa, poética e humorada de José Damasceno e um convite ao público a um passeio em um mundo imaginário que exige mudança de perspectiva e de relação com o espaço. Se em bibliotecas, a viagem acontece dentro das páginas dos livros, o artista propõe um encontro diferente. Parece que a biblioteca esconde histórias, respira e guarda pessoas por lá. O mundo “real” pode não ser tão previsível como se esperava.

Essa exposição, que só poderia ser feita em um país onde se têm bibliotecas, público leitor e locais de leitura, foi encomendada e produzida pela ArtAngel, uma agência de arte pública, e apoiada pelo Instituto Henry Moore e Conselho Camden.

O jornal inglês The Guardian chamou a exposição de “verdadeiro surrealismo contemporâneo” e chamou atenção para a qualidade poética do trabalho. Para a ArtAngel, o projeto “atrai visitantes para dentro do prédio em uma viagem desorientadora”.  

José Damasceno é um artista visual brasileiro que trabalha com escultura, instalação, desenho e colagem. Nascido no Rio de Janeiro em 1968, onde continua a viver e trabalhar, ele representou o Brasil na Bienal de Veneza em 2007 e é hoje considerado um dos mais importantes artistas de sua geração. Exposições internacionais de seu trabalho incluem Museo Reina Sofía, Madrid ( 2008) e do Museu de Arte Contemporânea de Chicago (2004).

PLOT ESTÁ NA BIBLIOTECA HOLBORN (32-38 THEOBALDS ROAD LONDON WC1X 8PA), LONDRES, DE 3 DE OUTUBRO ATÉ 23 NOVEMBRO. 

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