Conquistas recentes de Ai Weiwei

© Foto: Reprodução/Instagram

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Quatro anos após ter seu passaporte confiscado, o artista e ativista Ai Weiwei o recebeu de volta das autoridades chinesas. O artista celebrou o fato publicando uma foto onde segura seu passaporte em sua página no Instagram.

A notícia foi divulgada a apenas oito semanas da abertura de sua exposição individual na Royal Academy of Arts, em Londres. Ai Weiwei anunciou que estará em Londres para a sua mostra, que abre no dia 19 de setembro, mas sua primeira viagem será para Berlim, onde mora seu filho de seis anos de idade.

O artista também terá suas obras expostas ao lado de trabalhos de Andy Warhol na National Gallery of Victoria, em Melbourne, a partir de dezembro. Uma porta-voz da galeria anunciou que, se tudo der certo, Ai Weiwei estará presente na mostra.

Enquanto isso, Circle of Animals / Zodiac Heads (2010), uma série de esculturas de bronze de Ai Weiwei que representam os 12 animais do zodíaco chinês, está em um tour mundial, chegando no Centro de Arte Contemporânea de Málaga, na Espanha, no dia 18 de setembro. A série já passou pelo Brasil e foi um dos destaques da 29ª bienal de São Paulo. O artista ainda não confirmou presença na abertura da mostra em Málaga. Organizadores de sua exposição no Helsinki Art Museum, na Finlândia, também aguardam a confirmação da presença do artista na abertura, que acontece no dia 25 de setembro.

Ai Weiwei não está preocupado com a possibilidade de ser forçado a exilar-se, caso viaje ao exterior. “Eu acho que se as autoridades me deixam ir, tenho certeza de que me deixarão voltar. Eles têm sido bastante razoáveis”, afirmou ao Guardian.

A China tem diminuído a pressão sobre o trabalho de Ai Weiwei. Recentemente o artista realizou quatro exposições individuais em Pequim, encerrando a proibição que estava em vigor desde que foi preso, em 2011. A realização das mostras com o mínimo de interferência das autoridades chinesas surpreendeu a todos, inclusive o artista.

As exposições de Ai Weiwei sempre tiveram foco internacional, mesmo antes de seu confinamento. Suas únicas mostras individuais recentes na China haviam sido na Faurschou Gallery, em 2009, e na Galerie Urs Meile, em 2006. Muitas galerias chinesas hesitavam em trabalhar com Ai, devido ao medo de se envolverem em problemas com as autoridades. Após a sua prisão, esta situação se agravou.

Sua interação com o ocidente costuma ser mal vista pelos críticos na China. Mas agora o público chinês tem a oportunidade de ver por si mesmo o trabalho de Ai Weiwei, que ganha um novo contexto ao ser exposto em seu próprio país. A primeira de suas mostras recentes em Pequim, realizada em conjunto pela Galleria Continua e pela Tang Contemporary Art, contou com 2000 visitantes no dia da abertura. Este fato revela o engano de quem julga que Ai Weiwei não tem admiradores em seu país de origem.

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