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O continente latino-americano, desde de o seu então chamado ‘descobrimento’ no século XV tem atraido a atenção de pesquisadores e artistas viajantes. O “Novo Mundo” cobiçava informações. A posterior constelação etnográfica dos habitantes nativos, europeus em posições de governantes e os africanos trazidos como escravos, formaram uma interessante mistura de culturas e etnias. Em 1999, na ocasião dos 200 anos da viagem de Alexander von Humboldt à América Latina, foram organizados diversos simpósios e exposições sobre o tema tanto na Europa quando na América Latina.

InterAKTION dedica-se ao artistas brasileiros. No último século houve casos isolados de artistas brasileiros que viveram e trabalharam na Alemanha, cujos trabalhos foram exibidos no país. Historicamente, existe na arte brasileira um contexto de intercâmbio desde a fundação da Bienal de São Paulo em 1951, quando Francisco Matarazzo Sobrinho, empresário de ascendência italiana, promoveu um intercâmbio entre a arte brasileira e o que havia de melhor no campo das artes visuais no exterior. Já em 1952 é construído o primeiro Pavilhão Brasileiro na Bienal de Veneza.

Durante a Ditadura no Brasil, a partir dos anos de 1960, o intercâmbio cultural sofre sob intensa censura. Somente a partir do ano de 1978 houve uma abertura política e cultural. Em 2006, o Brasil se apresenta em Berlim com um programa interdisciplinar no contexto da Copa da Cultura na ‘Haus der Kulturen der Welt’. Em 2013, o Brasil participou como país convidado na Feira do Livro de Frankfurt. 2013/2014 foi celebrado o ano da Alemanha no Brasil. Neste contexto, muitos projetos foram organizados, incluindo a exposição “A Arte que Pemanece” no Museu dos Correios em Brasília e no Rio de Janeiro. Foram exibidas 103 obras de 40 artistas da coleção privada de Francisco Chagas Freitas, que trabalhou de 1984 a 1991 no Departamento Cultural da Embaixada brasileira na então Berlim Oriental, quando começou sua coleção de arte que hoje conta com mais de 1000 obras.

Em InterAKTION as posições individuais refletem através de diversos meios artísticos o debate e evolução política das últimas décadas. Os trabalhos não são nem políticos nem placativos, mas repletos de ironia, estética e olhar crítico. A narrativa é ora explícita, ora ocultada nas posições artísticas dos protagonistas deste projeto, que vivem em parte no Brasil e na Alemanha. Eles pertencem a diferentes gerações, de modo que o público possa vivenciar um extenso espectro da cultura brasileira. Entre eles estão Cristina Barroso, Kátia Canton, Erica Ferrari, Alex Flemming, Shirley Paes Leme, Nazareno, Paulo Nazareth, Letícia Parente, Berna Reale, José Rufino e Fernando Vilela.

A mostra, que inaugura no dia 18 de julho, conta com diversas atividades paralelas como uma mostra de cinema brasileiro, workshops, concertos, performance de Lisa Simpson e muito mais. E no dia 23 de agosto, a curadora Tereza de Arruda fará uma visita guiada pela exposição. Historiadora de arte e curadora, Tereza mora desde 1989 entre São Paulo e Berlim e já realizou e curou inúmeras exposições em ambos os países e também em outros. A partir das obras expostas a curadora guiará, explicará e iniciará um interessante discussão entre o Brasil e a Alemanha.

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