Bicentenário da chegada da Missão Artística Francesa

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Com curadoria de Maria Eduarda Marques e Max Perlingeiro, a mostra “A Missão Artística Francesa e seus discípulos” na Pinakotheke Cultural Rio de Janeiro reúne pinturas, desenhos, gravuras esculturas, documentos, além de peças de numismática. São obras raramente vistas, produzidas por artistas que integraram a Missão, seus discípulos e também de seu antecessor Nicolas Poussin (1594-1665), cuja pintura em óleo sobre tela “Himeneu travestido assistindo a uma dança em honra a Príapo, 1634-1638”, da coleção do MASP e pela primeira vez em exposição no Rio de Janeiro.

A vinda da Missão Francesa ao Brasil é o fato fundamental da história da pintura no século XIX. A corte portuguesa, fugindo à invasão das tropas francesas de Napoleão, sob o comando do general Jean-Andoche Junot (1771-1813), aportou na Bahia no início de 1808, transferindo-se em seguida para o Rio de Janeiro. O fato é que a “Missão Francesa” – o grupo de artistas e artífices reunidos por seu líder Joachim Lebreton (1760-1819) – chegou ao Rio de Janeiro a bordo do brigue de três mastros “Calpe”, de bandeira norte-americana, na data de 20 de março de 1816.

Um dos destaques da mostra é o quadro de Nicolas Poussin (1594-1665), um dos mestres da pintura francesa, que pertenceu à família real espanhola. O painel de grandes dimensões da coleção MASP, que mede 167cm x 376cm, será exposto pela primeira vez no Rio de Janeiro. A grande surpresa do processo da restauração foi a aparição de um falo ereto na figura central do quadro, o “deus Príapo”, da fecundidade e dos jardins, que sofreu, em séculos anteriores, “repinte de pudor”. A tela “Himeneu travestido assistindo a uma dança em honra a Príapo” mostra o deus grego do casamento, vestido de mulher, em uma dança para Príapo, que costuma ser representado com o falo em perpétua ereção. Sua pintura repercutiu nos pintores neoclássicos dos séculos XVII ao XIX. Considerado fundador do classicismo francês, Poussin influenciou todo o classicismo europeu, em especial a arte de Jacques Louis David, que adotou o rigor formal de suas composições. David acrescentou o sentido da virtude revolucionária ao ideal clássico de Poussin. Os artistas franceses que integraram a chamada “Missão Artística” de 1816, formados nos cânones do neoclássico, e contemporâneos de David, eram filiados à arte de Poussin, que lhes serviu de referência estética.

A exposição terá, ainda, obras de artistas da Missão Francesa, como Nicolas-Antoine Taunay (1755-1830), Jean Baptiste Debret (1768-1848), Auguste Taunay (1768-1824), Auguste Grandjean de Montigny (1776-1850), Charles-Simon Pradier (1783-1847), Marc Ferrez (1843-1923), Zépherin Ferrez (1797-1851), Hippolyte Taunay (1793-1864), Adrien Taunay (1803-1828), Félix Émile Taunay (1795-1881). Completam a mostra pinturas feitas pelos discípulos da Missão Francesa, como August Muller (1815-1883), Charles-Simon Pradier (1783-1847), Manuel de Araújo Porto-Alegre (1806-1879) e Simplício Rodrigues de Sá (c. 1800-1839).

As obras que compõem a exposição pertencem a importantes coleções públicas e particulares do Rio de Janeiro, de São Paulo e do Ceará, como o Museu de Arte de São Paulo (MASP), o Instituto Moreira Salles, o Museu Dom João VI, e o Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro, Museu Imperial, em Petrópolis, Fundação Edson Queiroz, em Fortaleza, o Instituto São Fernando, em Vassouras, no Estado do Rio, e a Coleção Hecilda e Sergio Fadel, no Rio de Janeiro.

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