Auguste Rodin e o despertar modernista

© Daniel Pinho

© Daniel Pinho

Esculturas de Auguste Rodin e fotografias sobre o artista e sua obra pela primeira vez em Brasília

Um dos escultores mais famosos da história – partilhando a celebridade apenas com Michelangelo e Donatello – Auguste Rodin é um dos poucos artistas que dividiram a trajetória da linguagem artística na qual atuaram. A escultura é uma antes e outra depois de Rodin. O mestre que fundou a escultura moderna merece agora uma exposição na Galeria Marcantonio Vilaça, do TCU – Tribunal de Contas da União. A partir do próximo dia 17 de agosto será possível visitar Rodin – o despertar modernista, mostra que reúne esculturas e fotografias do mestre que alia originalidade e ousadia. A solenidade de abertura oficial da exposição será no dia 16.

Sob curadoria de Marcus de Lontra Costa, a exposição Rodin – o despertar modernista é dividida em dois segmentos. No primeiro está um conjunto de 14 esculturas, pertencentes aos acervos da empresa mineira Vallourec (10 cópias em resina autorizadas pelo Museu Rodin, de Paris) e da Pinacoteca do Estado de São Paulo (4 obras originais). No segundo, fotografias vindas especialmente do Museu Rodin, na França, e outras que integram o acervo da Pinacoteca de SP, num total de 36 imagens, selecionadas para informar o espectador sobre a vida e a obra do grande mestre. Vai ser possível conhecer mais de perto o cotidiano de Rodin em seu ateliê e seu método de trabalho – Rodin desenhava suas peças, esculpia em formato menor, fazia os moldes em gesso e depois seus assistentes se incumbiam de ampliá-las em outros materiais.

Considerado o primeiro escultor da era moderna, responsável por recuperar a importância da escultura como linguagem artística, Auguste Rodin sintetiza, em seu trabalho, tradição e invenção. Em suas obras de pequeno porte, torções e movimentos de referência expressionista acentuam a sensualidade e a poética do mestre. Obras como O beijo e O Pensador atuam no imaginário coletivo como marcos da comunicação estética da cultura ocidental.

Segundo o curador, a escolha de Brasília para acolher a exposição não acontece ao acaso: “se as esculturas de Rodin fundam a modernidade e acentuam o início de um movimento que embasa todo o século XX, Brasília representa a apoteose e o ocaso do pensamento e da produção estética modernista. Distantes no tempo, as esculturas de Rodin e a arquitetura de Brasília dialogam, ambas, com a tradição barroca e a clareza do método construtivo”.

CURADORIA – Marcus de Lontra Costa atua como crítico e curador de artes desde 1978. Foi diretor da Escola de Artes Visuais do Parque Lage e organizou a histórica mostra “Como vai você Geração 80”, em 1984. Atuou como assessor do Ministério da Cultura para a implantação do Museu de Arte Moderna de Brasília. Durante os anos 1990, dirigiu o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (91/97) e o Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhães, no Recife (1997/2000). Foi Secretário de Cultura e Turismo de Nova Iguaçu (RJ), onde implantou as oficinas culturais do projeto “Bairro-Escola”, que atendeu a mais de 30.000 estudantes. Foi curador da Trio – Bienal Tridimensional do Rio de Janeiro, em 2015, e atualmente coordena os trabalhos curatoriais do Prêmio Marcantonio Vilaça. Organizou diversas exposições internacionais e nacionais com nomes expressivos como Jean Michel Basquiat, Juan Miró e Pablo Picasso, Armando Reverón, Oscar Niemeyer, Tomie Ohtake, Franz Weissmann, Farnese de Andrade, Amélia Toledo, além de coletivas como “Poética da Forma”, “Espelho Refletido”, “Visões cotidianas do Brasil Moderno”, entre outras.

O ARTISTA

(Paris, 12 de novembro de 1840 — Meudon, 17 de novembro de 1917)

FRANÇOIS-AUGUSTE-RENÉ RODIN, conhecido como Auguste Rodin, foi um escultor francês. Apesar de ser geralmente considerado o progenitor da escultura moderna, ele não se propôs a rebelar-se contra o passado. Foi educado tradicionalmente, teve o artesanato como abordagem ao seu trabalho, e desejava o reconhecimento acadêmico, embora ele nunca tenha sido aceito na principal escola de arte de Paris (sua incapacidade em ganhar a vaga pode ter sido devida ao gosto neoclássico dos juízes, enquanto Rodin tinha sido educado à luz da escultura do século XVIII. Deixando a Petite École em 1857, Rodin ganhava a vida como artesão e com ornamentos durante a maior parte das próximas duas décadas, a produção de objetos decorativos e enfeites arquitetônicos).

Esculturalmente, Rodin possuía uma capacidade única em modelar uma superfície complexa, turbulenta, profundamente embolsa em argila. Muitas de suas esculturas mais notáveis foram duramente criticadas durante sua vida. Eles entraram em confronto com a tradição da escultura da figura predominante, onde as obras eram decorativas, estereotipadas, ou altamente temáticas. Seu trabalho mais original partiu de temas tradicionais da mitologia e da alegoria, modelado o corpo humano com realismo, e celebrando o caráter individual e a fisicalidade. Rodin era sensível a controvérsias em torno de seu trabalho, mas se recusou a mudar seu estilo. Sucessivas obras trouxeram aumentos de favores do governo e da comunidade artística.

Do inesperado realismo de sua primeira grande figura – inspirada por sua viagem à Itália, em 1875 – para os memoriais não convencionais cujas comissões mais tarde ele procurou, sua reputação cresceu, de tal forma que se tornou o escultor francês proeminente de seu tempo. Em 1900, ele era um artista de renome mundial. Clientes particulares ricos procuraram seus trabalhos após sua mostra na Exposição Universal, e ele fez companhia com uma variedade de intelectuais e artistas de alto nível. Ele se casou com sua companheira ao longo da vida, Rose Beuret, no último ano de vida de ambos. Suas esculturas sofreram um declínio de popularidade após a sua morte em 1917, mas dentro de algumas décadas, o seu legado se solidificou. Rodin continua a ser um dos poucos escultores conhecidos fora da comunidade das artes visuais.

RESUMO DA CARREIRA: Ganhava a vida colaborando com escultores mais estabelecidos em comissões públicas, principalmente memoriais e peças arquitetônicas neobarrocas no estilo de Carpeaux. Em competições de comissões apresentou modelos de Denis Diderot, Jean-Jacques Rousseau, e Lazare Carnot, todos sem sucesso. Em seu próprio tempo, trabalhou em estudos para a criação de seu próximo trabalho importante, São João Batista Pregando.

Em 1880, Carrier-Belleuse – diretor de arte da fábrica nacional de porcelana de Sèvres – lhe ofereceu uma posição de meio período como designer. A oferta foi, em parte, um gesto de reconciliação, e Rodin aceitou. Essa sua parte, que apreciava os gostos do século XVIII foi despertada, e ele mergulhou em projetos de vasos e enfeites de mesa que trouxeram fama à fábrica em toda a Europa. A comunidade artística apreciou seu trabalho nesse sentido, e Rodin foi convidado para o Salon de Paris por seus amigos como o escritor Léon Cladel. Durante suas primeiras aparições nesses eventos sociais, parecia tímido; em seus últimos anos, como sua fama cresceu, ele mostrou a loquacidade e temperamento pelo qual se tornou mais conhecido. O estadista francês Léon Gambetta expressou seu desejo em conhecê-lo, e o escultor o impressionou quando eles se encontraram em um salão. Gambetta falou de Rodin, em vez de vários ministros do governo, provavelmente incluindo Edmund Turquet, o subsecretário do Ministério de Belas Artes, a quem, eventualmente, o conheceu.

Suas obras mais célebres, O Beijo, que faz parte de uma série de esculturas realizadas para a Porta do Inferno, do Museu de Artes Decorativas, O Pensador, da mesma série, e o retrato de Balzac confirmam isso. Há um museu em Paris dedicado às suas obras e vida, o Musée Rodin), situado no Hôtel Biron, ao lado do Hôtel des Invalides, monumento onde se encontra o túmulo de Napoleão.

Rodin teve como assistente a escultora Camille Claudel, com quem teve um romance e cujos trabalhos são muitas vezes confundidos com os de Rodin. Camille acreditava que Rodin queria se apropriar dos seus trabalhos. À época, foi considerada insana e terminou seus dias internada em um manicômio.

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