Arte pré-colombiana no MASP

© Divulgação

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O MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand anunciou a assinatura do comodato da totalidade da Coleção Edith e Oscar Landmann, que passa a ser denominada Coleção MASP Landmann. O contrato tem duração de 10 anos, podendo ser renovado ou transformado em doação definitiva total ou parcial durante ou após o período.

A Coleção MASP Landmann é composta por cerca de 900 obras de arte pré-colombiana, formada a partir de uma das mais importantes coleções privadas da América Latina e, agora, a única desta natureza presente em um museu brasileiro. Ampla e diversificada, a coleção possui exemplares de cerâmica, tecidos e metais de inúmeros povos que habitaram parte do território que hoje constitui a América do Sul, como Peru, Colômbia e Brasil (Marajó, PA), cobrindo um arco temporal de quase 2.500 anos, desde 1000 a.C. até a conquista europeia, na metade do século 16. Entre as principais culturas, destacam-se: Chavin, Chimu, Huari, Moche, Nazca, Paracas, Recuay, Tiahuanaco, Vicus, Viru, Chancay, Inca, Quimbaya, Tairona, Sinu, Calima e Marajó. Recortes da coleção já participaram de exposições na Bélgica, Portugal e Brasil, incluindo a VII Bienal de São Paulo; Por ti América, no CCBB de São Paulo; Tesouros do Senhor de Sipán, na Pinacoteca do Estado de São Paulo e a 4a Bienal do Mercosul, em Porto Alegre.

“A vinda da Coleção Edith e Oscar Landmann para o MASP tem um valor inestimável e simbólico para o museu, pois não só permite o acesso do público a uma das principais coleções particulares de arte pré-colombiana do mundo, mas também representa mais um passo para a formação de coleções transversais, com obras de diferentes períodos, técnicas e culturas, que contribuem para a consolidação de um acervo múltiplo, diverso e plural.”, ressalta Heitor Martins, atual diretor presidente do MASP.

A partir do dia 27 de junho, o MASP colocou em exposição, junto ao seu acervo permanente, no 2º andar do museu, quatro obras do comodato, permitindo o acesso imediato de seus visitantes à nova Coleção MASP Landmann. Adriano Pedrosa, diretor artístico do museu, destaca: “Estamos trazendo para a exposição na pinacoteca do MASP quatro extraordinárias peças da cultura marajoara (séculos 4-14) da coleção. Assim teremos uma presença brasileira logo no início da mostra no segundo andar, o Acervo em transformação, que está organizado cronologicamente, e antes era dominado quase que exclusivamente por obras europeias, pelo menos até o século 19. Temos um interesse especial em criar fricções e diálogos justamente entre nossa grande coleção europeia e obras de outras culturas, daí a importância da coleção MASP Landmann para o Museu.” Até 2018, o MASP deverá realizar uma exposição centrada na coleção, bem como publicar um catálogo com todas as obras que a integram.

O arqueólogo e pesquisador peruano Walter Alva será o curador honorário da coleção; enquanto a contratação de um curador-adjunto de arte pré-colombiana está prevista ainda para este ano. Alva é diretor do Museo Tumbas Reales de Sipán, Presidente Honorário do Conselho de Sipán e responsável pela descoberta das tumbas dos reis Moche – “El Señor de Sipán” e “El viejo Señor de Sipán” – ao norte do Peru, considerada uma das principais descobertas arqueológicas do século 20. De 1977 a 2002, foi diretor do Museo Arqueológico Nacional Brüning de Lambayeque, um dos centros mais importantes de pesquisa e disseminação da arqueologia peruana. É doutor honoris causa e professor honorário em inúmeras universidades do Peru, tendo recebido dezenas de condecorações, como o prêmio de Personalidade Benemérita da Cultura, do Ministério da Cultura do Peru, por sua contribuição à arqueologia peruana em níveis nacional e internacional.

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